Com o inchaço no trânsito das grandes cidades, a tendência é restringir a entrada de caminhões pesados nas ruas e avenidas, para tentar deixar o tráfego mais fluído. Pelo menos esta é uma das tentativas, que já mobilizou o governo de São Paulo, que desde junho de 2008 instituiu regras para os VUC (Veículos Utilitários de Cargas), e que tende a ser adotado por outras capitais como Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Curitiba.
Na prática, a restrição aos Vuc's virou uma opção de expansão, e porque não de segmentação, para empresas que fabricam comerciais leves. Vans, furgões e caminhonetas se tornam indispensáveis para empresas que não podem esperar o período entre 21 horas e 5 horas da manhã para trafegar nas cidades.
Três empresas atendem com apreço este setor: Fiat, Hyundai, Renault. Todas apresentaram novidades de utilitários leves na última edição do 17º Salão Internacional do Transporte (Fenatran 2009). A Renault, após sofrer perdas com a crise no primeiro semestre deste ano, resolveu espantar a fase ruim investindo em duas novidades: o Novo Máster e o Kangoo Express.
Kangoo Express é uma versão ampliada do veículo homônimo utilizado para passeio. Hoje, a linha de furgões da indústria francesa responde por 25% das vendas do segmento de comerciais leves no Brasil. Desse volume, 6% correspondem ao mercado de furgões pequenos (até 800 kg de carga).
Já o Novo Máster entra na linha de comerciais pesados (furgões até 3.500 kg de peso bruto total) com a responsabilidade de ampliar a participação da marca no segmento. A tarefa é sair dos atuais 18% de participação e conquistar 22% até o fim de 2010. De acordo com Ricardo Balieiro Fischer, diretor de marcas da Renault, este setor sofreu mais com a crise, pois o efeito da redução do IPI foi menor se comparado aos veículos de passeio.
''O mercado de comerciais leves caiu na casa dos 10%, como por exemplo o Kangoo, se comparado a 2008. Mas a expectativa é de que os furgões girem em torno de 90 mil carros no ano, amparado pela restrição à veículos pesados dentro das grandes cidades. Isso ainda é pouco se comparado com economias mais maduras, mas vai representar um crescimento significativo para o setor'', analisou o executivo, que contabiliza até dezembro a entrega de 4,2 mil unidades e o objetivo é superar os 5 mil, em 2010.
Enquanto a Renault foca aumento na participação de furgões, a Hyndai prefere investir no setor de caminhões de médio porte. Foram três novos modelos colocados à disposição do consumidor na Fenatran 2009: HR, HD 65 e HD 78. O primeiro modelo é uma opção para driblar a restrição aos Vuc's. O chassi é mais alongado que a versão anterior, mas entrará na restrição para trafegar nos centros urbanos.
Já o HD 65 e 78 são opções de caminhões-baú que chegam à América do Sul, a partir de 2010, com o objetivo de ampliar a participação da empresa no setor. A ausência de um eixo traseiro também barateia custos de viagem, uma vez que a taxa de pedágio para veículos de dois eixos é menor. Outro detalhe apontado pela companhia é a brecha que a legislação contra os Vuc's, durante o dia nas cidades, que permite o tráfego do utilitário.
Finalmente, o líder do setor de comerciais leves - a Fiat, também desovou duas novidades no mercado durante a Fenatran 2009. O destaque ficou por conta do Fiat Ducato Multijet Economy, com novo motor 2.3 MultiJet. A companhia aproveitou a ocasião para lançar a versão Working da picape Strada.
Como 24,4% de participação no segmento, a estratégia da Fiat objetiva manter seu cast de novidades alinhado às investidas da concorrência. ''Somos líderes há sete anos consecutivos no segmento de comerciais leves. Nossa previsão para este ano é vender em torno de 120.000 veículos'', comenta Lélio Ramos, diretor comercial da Fiat Automóveis.
Por outro lado, executivos da Renault calculam que a Mercedes-Benz é forte candidata a tomar a liderança da Fiat. Fischer acredita que o ambiente concorrencial está mais pesado, com as marcas tradicionais lutando duro pela primeira posição. Mas destaca que a Renault trabalha em busca de espaço, ''mas sofre por não ter muita força'', admite.
''Já tivemos 22% do segmento e caímos para 17% neste ano. Isso não só pelo crecimento da Fiat, mas também pela chegada de marcas concorrentes como a Ford Transit. Tem também as coreanas que trazem produtos baratos, com agressividade comercial forte. Com isso o ambiente concorrencial será muito forte. Queremos recobrar os 22% nesse ano e crescer mais em 2010'', finalizou.
** O jornalista viajou a convite da Fenatran

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