Até há alguns anos, os carros com câmbio automático eram vistos pelos motoristas como algo para idosos ou deficientes físicos. Os homens eram os que mais relutavam em dirigir um carro assim. Mas as coisas já mudaram bastante.
Há cerca de cinco anos, o brasileiro passou a ver a praticidade do carro automático. Nada de embreagem ou marchas para incomodar. O carro faz tudo sozinho. Ao motorista só cabe prestar atenção no volante.
Segundo Cleide Mara de Oliveira, vendedora da Niponsul, concessionária Honda de Curitiba, as vendas de carros com câmbio automático representam atualmente 60% do movimento total da empresa e a procura vem aumentando gradativamente. ‘‘Há dois ou três anos, apenas 30% das vendas eram de carros automáticos. As pessoas achavam que era carro para idoso, ou então, que o câmbio dava muito problema. Hoje isso mudou.’’
Cleide diz também que o trânsito das grandes cidades é outro responsável pelo aumento das vendas desse tipo de veículo. ‘‘Está muito cansativo dirigir. E um carro automático dá ao motorista muito mais conforto.’’
Ivan Bortolotto, vendedor da Autovesa, concessionária Renault em Curitiba, diz que a marca só tem um carro da linha com câmbio automático, mas que os compradores costumam perguntar bastante se, para os outros modelos, não há a mesma opção. ‘‘A procura está maior. As pessoas estão começando a ver as vantagens.’’
Bortolotto diz também que as pessoas que procuram um automóvel assim são aquelas que já tiveram contato com um modelo desses, seja quando viajaram para fora do País e dirigiram um por lá, ou então aqueles motoristas que já andaram com o carro de um amigo que não tivesse embreagem. ‘‘Quem compra um carro automático não volta mais para um mecânico. Isso não tem jeito’’, afirma.
O gerente comercial da Divesa, revenda Mercedes em Curitiba, Rogério Luiz Guadagnin, explica que, desde 2000, os carros da montadora alemã têm câmbio automático sequencial –funcionam tanto da maneria manual como da automática. Isso é uma alternativa para quem não abre mão de trocar a marcha.
Um dos lançamentos mais recentes da Mercedes que segue esse conceito é o Classe A 190. O modelo, segundo Guadagnin, teve uma aceitação maior que a esperada, o que comprova que as pessoas estão cada vez mais em busca de conforto. ‘‘A procura está muito grande, mais do que imaginávamos’’, explica.
Quanto ao perfil de quem compra um carro com câmbio automático, as mulheres ainda ocupam o topo da lista, mas isso não significa que os homens não gostem da mordomia. ‘‘O público está bem dividido. Quem dirige um carro com câmbio automático acaba ficando com ele, e isso independe da idade e do sexo’’, comenta Cleide.
Desempenho O executivo de marketing Paulo Kuchnier é um exemplo de motorista apaixonado por carros com câmbio automático. Desde 1992, quando comprou o primeiro veículo com essa características, ele não quis mais trocar. ‘‘É mais cômodo na condução, não precisa ficar trocando a marcha’’, explica.
Kuchnier conta que ele só compra um carro manual quando não é oferecida a opção do mesmo modelo com câmbio automático. ‘‘Antigamente dizia-se que era carro para deficiente. Deficiente é quem falava isso’’, brinca.
O executivo concorda que o carro automático, em alguns casos, tem um desempenho pior que o manual, mas ele enumera outros benefícios que fazem com que a opção valha a pena. ‘‘Hoje em dia, os carros com câmbio automático perdem muito pouco a performance em relação ao manual. Mas isso é recompensado com todo o conforto e praticidade que ele oferece ao motorista. Você não percisa ficar trocando marcha antes de uma lombada, por exemplo.’’

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