Cresce a emissão de poluentes por uso de gasolina
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sábado, 12 de julho de 2014
Cecília França<br> Reportagem Local 
O uso de gasolina por veículos foi responsável pela emissão de 73,8 milhões de toneladas de CO2e (dióxido de carbono equivalente) no Brasil, em 2013 - aumento de 3% em relação ao ano anterior, quando foram emitidas 71,6 milhões de toneladas. Os dados são da Ecofrotas, empresa especializada em gestão de frotas corporativas. O aumento das emissões está relacionado tanto ao crescimento do consumo do combustível fóssil quanto ao aumento da frota de automóveis. Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP), no ano passado foram consumidos 40,9 bilhões de litros de gasolina ante 39,6 bilhões de litros em 2012.
O CO2e é a medida utilizada para comparar as emissões de vários gases de efeito estufa. A métrica é baseada no potencial de aquecimento global de cada um dos gases. O dióxido de carbono equivalente é o resultado da multiplicação das toneladas emitidas de gases de efeito estufa pelo seu potencial de aquecimento global. Aproximadamente seis gases são classificados como de efeito estufa, sendo dióxido de carbono (CO2) e metano (CH4) os dois principais.
Para se ter uma ideia, a gasolina A emite, em média, 2,269 quilos de CO2 por litro. Sendo assim, considerando o consumo no País no ano passado, foram emitidos nada menos que 92,8 bilhões de quilos de dióxido de carbono na atmosfera. A situação fica mais preocupante, na opinião do gerente de inovação da Ecofrotas, Rodrigo Somogyi, se considerada a tendência de aumento da participação do setor de transporte no total de emissões do País.
"No Brasil, boa parte das emissões ainda vem da queimada de florestas e do uso do solo. Porém, a tendência observada em países mais desenvolvidos é a estabilização dessas emissões e a maior participação de atividades ligadas ao uso de energia, como o segmento de transportes. Isso pede uma atenção maior ao uso de combustíveis no território brasileiro", diz Somogyi.
O gerente esclarece que a emissão de CO2e está relacionada ao agravamento do aquecimento global, por isso, iniciativas como a gasolina S50, lançada no início deste ano pela Petrobras, apesar de valiosas, têm impacto apenas localizado. "A Petrobras divulga que a nova gasolina gera redução de emissões de poluentes como óxidos de nitrogênio e monóxido de carbono. Esse tipo de emissão está relacionada com a poluição local, diferente do CO2, que gera impacto nas mudanças climáticas e, portanto, é de repercussão global", justifica.
O diesel não foi considerado no levantamento da Ecofrotas.
Etanol
Em 2013, foram consumidos no País 10,5 bilhões de litros de etanol, cujas emissões de CO2e são consideradas neutras, compensadas durante o crescimento da cana-de-açúcar. Em 2012, haviam sido 9,8 bilhões de litros. "Apesar da alta, o consumo do biocombustível ainda está abaixo do registrado em 2011, quando foram vendidos 10,8 bilhões de litros. Em termos ambientais, isso é preocupante justamente por conta das emissões de gases de efeito estufa", afirma Somogyi.
Na opinião dele, apesar da ampla oferta de carros flex no mercado, a viabilidade econômica ainda dita a opção dos brasileiros pela gasolina. "Locais distantes das usinas de cana costumam ter um preço de etanol mais caro. Em outros, o consumidor acaba, por hábito, optando pelo combustível fóssil", ressalta.
Segundo Somogyi, estudo anterior realizado pela empresa derruba a teoria do 70/30, ideia de que só vale a pena usar etanol quando este custar até 70% do valor da gasolina. Análise da Ecofrotas em mais de 400 mil veículos por cerca de dois anos mostra que essa proporção é mais próxima do 80/20, ou seja, vale usar etanol quando ele custar até 80% do valor da gasolina.
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