Um dos principais pontos mestres durante o desenvolvimento de um novo veículo é, sem dúvida, pela segurança oferecida aos passageiros. Com motores cada dia mais potentes e o trânsito cada vez mais intenso, medir o nível de segurança de um automóvel é essencial para reduzir os riscos de ocorrência de ferimentos ou mesmo de mortes em acidentes.
As simulações de acidentes, também conhecidos como 'crash-tests', são os principais laboratórios das montadoras para avaliar seus produtos. No Brasil, apenas a Volkswagen e a General Motors, contam com laboratórios para a realização das simulações. Fiat e Ford testam seus veículos em laboratórios da marca na Europa e nos Estados Unidos.
A Volkswagen foi a pioneira na realização de crash-testes no Brasil, com a inauguração de um centro de segurança veicular na fábrica Anchieta, em São Bernardo do Campo, em 1971. ''O primeiro automóvel nacional a ser submetido aos testes foi o legendário Fusca, no incío da década de 70. Hoje, fazemos em média 150 crash-tests por ano. São realizados diversas vezes durante a fase de desenvolvimento do produto e também posteriormente, quando o veículo já está no mercado'', explicou Marcelo Bertocchi, gerente da engenharia de segurança veicular da Volks, em entrevista à Folha Carro & Cia.
Os equipamentos utilizados e os resultados obtidos nas simulações são guardados a sete chaves pelas marcas e servem apenas para orientar os engenheiros sobre possíveis falhas estruturais ou de segurança no veículo. Segundo Bertocchi, cerca de 120 sensores são utilizados em um crash-test.
Geralmente, os testes de impacto são baseados nas normas americanas, que estabelecem que o veículo deve chocar-se frontalmente contra um barreira rígida a 48,3 km/h, com dois bonecos (dummies). O teste equivale ao choque de um carro a 72 km/h, contra outro, parado, ou a uma colisão a 122 km/h contra a traseira de um veículo que roda na mesma direção, a 50 km/h. Ou, ainda, a uma batida frontal entre dois veículos a uma velocidade de 50km/h. Para se ter uma idéia mais próxima do que isso significa, basta imaginar a severidade que é um carro despencar do quarto andar de um prédio e se espatifar frontalmente no chão.
Os acidentes com choques frontais são os de maior incidência e, de acordo com as estatísticas, representam 22% dos casos fatais. Outro dado que revela a representatividade desse tipo de teste diz respeito à velocidade. Em 90% dos acidentes com vítimas fatais, os veículos estão a uma velocidade inferior a 60 km/h no instante do choque.
A realização desses testes é de extrema importância, já que a indústria automobilística está sempre desenvolvendo novas peças, fazendo modificações nos automóveis, no caso de testes envolvendo carros usados, servem para mostrar a durabilidade dos aspectos de segurança dos veículos.

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