Ribeirão Preto (SP) ''Oficializamos o rabo-de-galo no mercado brasileiro!''. Foi com esta frase irônica que o vice-presidente da General Motors do Brasil (GM), José Carlos Pinheiro Neto, apresentou a linha Corsa 1.8 Flexpower 2004, os primeiros veículos da Chevrolet que funcionam tanto com álcool quanto gasolina. Outra novidade dos modelos, lançados na última quarta-feira e que já estão sendo oferecidos nas concessionárias de todo o Brasil, é que a tecnologia não será oferecida ao consumidor como opcional, mas sim como versão definitiva de fábrica para os corsas Hatch e Sedan equipados com motor de 1.8 litro.
A brincadeira de Pinheiro Neto está ligada ao uso informal da mistura dos dois combustíveis feita por boa parte dos motoristas brasileiros e difundida em todo o País depois das constantes altas no preço da gasolina. Durante o lançamento, foi apresentada até uma ''regrinha'' para os consumidores interessados em saber como aproveitar as variações dos preços (veja quadro).
Embora não seja novidade no mercado (a VW lançou o recentemente Gol Total Flex, também movido a multicombustão), os diferenciais apresentados pela diretoria da GM foram a padronização do modelo 2004 (100% dos veículos Corsa 1.8 passam a ser fabricados com motor Flex power) e a manutenção do preço dos lançamentos no mesmo patamar dos modelos atuais. ''Estamos dando aos brasileiros a opção de escolher qual combustível usar no seu veículo sem pagar mais caro por isso'', disse Pinheiro Neto, embora tenha admitido que parte dos custos foi abatida com o incentivo recebido pelo Governo Federal, que reduziu o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de 15% para 13% para as empresas interessadas em produzir veículos como o Flexpower. O Corsa hatch 1.8 Flexpower básico chega por R$ 27.525, enquanto que o modelo sedã sai por R$ 29.303. Com todos os opcionais (entre eles direção hidráulica, ar condicionado, rádio CD player) o valor final pode atingir os R$ 37.349 (hatch) e R$ 39.172 (sedã).
O segredo para que o carro consiga ''saber'' qual combustível está sendo utilizado está nas informações passadas por dois novos equipamentos: uma ''bóia inteligente'', que identifica se o conteúdo do tanque foi alterado, e um novo sensor de oxigênio, que avalia os gases emitidos pelo escapamento. Os dados são passados para o Módulo Central Eletrônico (ECM) que, em segundos, compensa a quantidade e tempo de injeção de combustível usado no motor. O veículo pode funcionar somente com álcool, gasolina ou com a mistura dos dois.
Apesar do garantir índice de consumo por quilometragem rodada por litro (km/l) semelhante aos modelos tradicionais (quando usado somente gasolina, faz 16,3 km/l, enquanto o álcool garante 11 km/l, em percurso de estrada), a média calculada com uso da mistura nas rodovias cai para 13,4 km/l. A explicação dos engenheiros da GM foi a administração de uma octanagem padrão (10,5/1 contra 12,6/1 da gasolina e 9,4/1 do álcool) para manter um desempenho razoável dentro e fora da cidade.
O motor, desenvolvido pela parceria entre Delphi e Powertrain, ganhou uma proteção extra contra a corrosão do álcool, além de conseguir uma curiosa variação na potência: passa de 105 cv, quando usado somente gasolina, para 109 cv quando o tanque é enchido com álcool. Segundo a diretoria, os custos de manutenção não pesarão no bolso do consumidor. ''O segredo está nas estratégias de se calibrar o motor. As peças (injetores, sensores, etc) são as mesmas, só que melhor desenvolvidas'', garantiu Pedro Manuchakian, diretor executivo de Engenharia da GM.
O presidente da GM do Brasil e Mercosul, Walter Wieland, disse que está apostando na nova tecnologia para atrair mais consumidores brasileiros, mas não disse se o Flexpower equipará outros modelos Chevrolet (Meriva e Celta). ''Tudo é possível. O importante é que estamos acreditando no Brasil, tanto que continuamos investindo e anunciando o veículo no momento em que ele está automaticamente disponível no mercado'', disse Wieland, destacando que outros dois lançamentos da GM estão previstos para o segundo semestre.

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