Andar acima da velocidade permitida pela lei atrai principalmente os jovens, que não considerando os riscos, costumam acelerar atrás de grandes emoções. O estudante M.J. de 19 anos, que prefere não se identificar, diz que, dependendo do trânsito, ultrapassa os 60 km/h. Nessas situações, a velocidade escolhida para transitar nas ruas da cidade gira em torno de 90 km/h a 100 km/h. ''Se a rua estiver mais livre, ando mais rápido. Mas quando tem trânsito não, daí ando normal'', conta, revelando que, na estrada já chegou aos 180 km/h.
Com tanta rapidez, M.J. já recebeu em casa quatro avisos de excesso de velocidade: o último chegou no dia 31 de setembro, um dia antes dos excessos se tornarem multas. ''Sei que agora quem for flagrado acima da velocidade vai ser multado. Mas tomo cuidado para não passar rápido nos radares. Onde eu sei que tem um, alivio o pé'', admite.
M.J. diz que, quando está pisando forte no acelerador, coisa que muitos dos amigos dele também fazem, segundo conta, não pensa nos riscos que está correndo. Mas quando está com alguém dentro do carro, a situação é diferente. ''Daí não é só a minha vida, estou com mais gente, não dá para abusar'', explica.
Uma das explicações dadas por M.J para acelerar um pouco é que ele gosta de ser pontual. Então, às vezes, é preciso correr para chegar no horário. Mesmo tendo tomado dois sustos, quando achou que fosse passar reto em uma curva, ele diz que, se algum outro carro parar do lado dele e quiser tirar um racha, não pensa duas vezes se o carro dele tiver motor para competir. ''Se eu sei que o meu carro não vai dar conta, fico quieto. Não vou nem me meter'', diz.
M.J. nunca bateu o carro. O único acidente que já teve foi com uma moto, quando tinha 16 anos e atropelou uma criança. Na época, ele prestou todos os socorros à menina, que quebrou a perna. No entanto, ele garante que a culpa não foi dele. ''Ela que atravessou na minha frente. Mesmo se eu tivesse mais devagar não daria para parar'', diz.
Mas tem uma situação em que M.J anda devagar: quando está com o pai dentro do carro. Quando isso acontece ele não ultrapassa a velocidade permitida para evitar broncas. ''Ele não gosta que eu corra. Fica mandando eu andar mais devagar, então eu ando'', conta, revelando que a ordem só é cumprida quando o pai é o passageiro.

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