Correção de falhas pode aumentar eficácia de recalls
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sábado, 03 de maio de 2014
Cecília França<br>Reportagem Local 
O número de recalls no Brasil triplicou nos últimos dez anos. Em 2013, foram 109 convocações das montadoras para consertar defeitos que poderiam causar acidentes. No entanto, apenas 61,5% dos motoristas de automóveis e 14,3% dos motociclistas atenderam a estes recalls, segundo levantamento da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), ligada ao Ministério da Justiça. Os motivos vão desde desconhecimento até avaliação de que o conserto não é
necessário.
Para corrigir falhas, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) defende medidas junto ao Conselho Nacional de Trânsito (Contran) que façam os recalls realmente atingirem a todo o público-alvo. Segundo o presidente da Anfavea, Luiz Moan, dentre elas está uma espécie de punição, inexistente hoje para quem não atende aos recalls.
"Somos favoráveis que o Contran implante um sistema que impeça o licenciamento de veículo que não tenha comparecido ao recall", diz Moan. Outra mudança sugerida consiste na criação de um cadastro nacional que informe às montadoras o atual proprietário do veículo. Isto porque, além da divulgação na mídia, elas são obrigadas a enviar correspondências aos clientes informando sobre o recall.
"Como as montadoras têm acesso apenas ao nome do primeiro proprietário, propomos criar um cadastro nacional para que seja enviada aos donos corretos", defende Moan. De posse da correspondência, o proprietário não teria como se esquivar do recall. Na opinião do presidente da Anfavea, no entanto, o setor automotivo tem conseguido eficiência nos reparos que necessita fazer. Ele destaca, ainda, o pioneirismo do setor.
"Um veículo é formado por cerca de 5 mil peças, então, uma falha é possível de ocorrer. Preocupada com a segurança do consumidor, a indústria iniciou o recall", declara. Questionado sobre a demora na convocação - alguns anos, em casos específicos de recall -, Moan afirma não ser uma prática.
"Às vezes demora, mas, via de regra, assim que for detectado o problema ocorre a chamada para o reparo, mesmo que a montadora não tenha peças suficientes para atender", explica. O presidente da Anfavea recomenda a todos os motoristas convocados que respondam aos chamados e orienta quem pretende comprar um carro a entrar nos sites das montadoras e verificar se o veículo já passou por algum recall.
Chamado global
Recentemente, chamou a atenção dos consumidores o recall global da Toyota, que envolve 6,4 milhões de veículos - 95 mil no Brasil dos modelos Hilux, SW4 e RAV4. A General Motors (GM) também convocou recall da Tracker LTZ Automática este ano e, mais recentemente, do Agile e Classic 2014. A marca também provocou polêmica com seu recall nos Estados Unidos, considerado tardio para corrigir um defeito que pode ter provocado a morte de clientes. A Volvo convocou recall nas últimas semanas para os modelos V40 e V40 Cross.
Para tirar as dúvidas dos proprietários, a Toyota disponibiliza o telefone 0800 703-0206. A GM tem o telefone 0800 702 4200 e a Volvo, o 0800 707 7590, além do e-mail [email protected]. Nos sites das montadoras também constam os chassis dos veículos convocados.
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