Com o aumento abusivo do preço do combustível, o consumidor está convertendo o motor à gasolina para álcool
A transformação completa e adequada requer a troca dos pistões e alteração do sistema de aquecimento e partida. O procedimento custa cerca de R$ 1.500,00.
Luciana Peixoto
Especial Carro & Cia
Com o aumento de 60% no preço da gasolina, apenas neste ano, os consumidores buscam saídas alternativas para driblar os gastos na hora de encher o tanque. No último mês, nunca se ouviu falar tanto em conversão de motores à gasolina para álcool.
A possibilidade de fazer esta conversão por apenas R$ 200,00 está levando inúmeros proprietários de veículos à gasolina a correrem para as oficinas procurando pelo serviço que, embora seja barato, pode trazer grandes prejuízos a longo prazo.
Longe de defender os preços abusivos do combustível, o mecânico Lindolfo Motta da Silva, há 40 anos no setor, acredita que ao fazer a conversão por R$ 200,00, o consumidor estará mais uma vez sendo lesado nos seus direitos.
Detalhes ‘‘Ao fazer apenas a regulagem externa, com a instalação de um sistema manual de partida a frio, que é o que pode ser feito por R$ 200,00, pistões, mangueiras e outros componentes desenvolvidos para trabalhar com gasolina serão, invariavelmente, corroídos pelo álcool’’, alerta Silva.
No entanto, o grande problema deste procedimento, segundo o mecânico, refere-se à taxa de compressão do motor. Ele explica que um carro à gasolina que possui taxa de compressão de 9.1, por exemplo, se fosse um modelo a álcool teria uma taxa de 12.1.
Segundo Silva, se a transformação do motor não incluir a troca dos pistões (responsáveis pela regulagem da taxa de compressão), o carro em questão seria transformado para um modelo a álcool com a taxa de compressão de 9.1, reduzindo drasticamente a potência do motor e comprometendo insatisfatoriamente o desempenho do veículo.
‘‘Em função disso, nós não estamos oferecendo este tipo de serviço. Primeiro porque não podemos dar garantias de um procedimento que sabemos que trará consequências negativas à longo prazo e, segundo, porque não temos garantia de que o preço do álcool permanecerá nestes patamares se houver uma aumento da demanda’’, frisa Silva.

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