Conversão de combustível vira 'mania' em Londrina
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sábado, 14 de agosto de 2004
Erika Zanon<br> Reportagem Local 
Levados pela onda dos carros que usam tanto álcool como gasolina, lançados pela indústria no ano passado, e também pela diferença de preços entre os dois combustíveis, muitos motoristas têm feito a conversão nos carros antigos. A principal finalidade é a economia, visto que o valor da gasolina não está nada convidativo, chegando a custar em algumas cidades duas vezes mais que o álcool.
Com a ajuda da tecnologia tornou-se possível escolher entre a gasolina e o álcool. E fica cada vez mais fácil encontrar oficinas que ''ensinam'' com qual combustível o automóvel vai andar e até mesmo torná-lo bicombustível. Para evitar problemas no motor, entretanto, o motorista deve tomar alguns cuidados como saber se o motor pode ser convertido, os riscos para o automóvel e ainda certificar-se da idoneidade da oficina onde o serviço será realizado.
A maneira mais comum de converter o motor é mudando o chip (processador de computador) instalado dentro do módulo da injeção. ''A gente tira o chip que está programado para andar com gasolina e substitui por outro programado para receber o álcool'', explicou Hélio Fontoura, engenheiro mecânico e proprietário de uma oficina mecânica. O serviço custa em média R$ 250 e a oficina chega a fazer duas conversões por dia, segundo o engenheiro. Junto com o chip, instala-se um reservatório de gasolina para a partida a frio. Dentro do carro vai um botão que injeta gasolina no motor, sistema muito importante para os dias mais frios.
Já para transformar o motor em bicombustível (que roda com gasolina ou álcool) troca-se todo o módulo de injeção, adaptando um chip mais sofisticado. Uma chave dentro do carro possibilita ao motorista escolher qual combustível será usado. O serviço custa em média R$ 600.
O problema nessa conversão, no entanto, é que o carro não pode andar com a mistura dos dois combustíveis. ''Não é como os modelos mais modernos que anda com qualquer quantidade. Nessa conversão o motorista tem que esperar o carro chegar na reserva para abastecer como outro produto'', frisou Fontoura.
A vantagem da conversão, segundo ele, está na economia. O motorista chega a gastar 50% menos combustível quando passa da gasolina para o álcool. Segundo o engenheiro, o veículo não perde desempenho e nem fica com as marchas mais lentas. O único risco é a bomba de combustível, que pode apresentar problemas no futuro. Ele aconselha o motorista a substituir a peça quando fizer a conversão, aumentando o desembolso com o serviço. Uma bomba de álcool custa em média R$ 300.
Proprietário de outra oficina onde também é feito o serviço, o mecânico Paulo César dos Santos diz que chega a converter de três a quatro carros por dia. A procura, segundo ele, aumenta principalmente quando o preço do álcool fica muito inferior ao da gasolina. Outro fator que contribui para a demanda, como ressaltou, é o grande número de veículos bicombustíveis que a indústria tem colocado no mercado.
Para o engenheiro de aplicação da Delphi, Antônio Brosco, o motorista deve desconfiar de serviços tão fáceis e rápidos. ''Se é tão fácil e simples, por que uma concessionária autorizada não faz o serviço?'', questionou. Para exemplificar a complexidade de um sistema bicombustível, Brosco disse que um projeto desses demora em média 18 meses para ser desenvolvido.
A príncipio, como comentou, o consumidor terá uma economia. Mas ele deve pensar em resultados a longo prazo, e se realmente com o passar do tempo ele vai economizar ou apenas ter problemas, enfatizou o engenheiro. ''Muitas peças podem se deteriorar com o tempo e o carro com certeza perde desempenho'', concluiu.


