Nos postos de gasolina, a pergunta dos frentistas ficou difícil: ‘‘álcool ou gasolina?’’ Os donos de carros flex, que antes optavam pelo álcool, por ser mais barato, agora fazem contas antes de abastecer. ‘‘Para mim, ainda compensa o álcool, mas é por muito pouco’’, diz o taxista Cláudio Bellini. ‘‘Quando comprei meu carro bicombustível, o álcool custava R$ 0,85 o litro. Agora, quase dobrou e eu fico fazendo contas para saber o que colocar no tanque.’’
  O fornecedor de acessórios de papelaria Luiz Caldeira diz que é tudo ‘‘uma questão de bolso.’’ Segundo ele, o Palio Weekend que comprou há um ano anda bem com álcool. ‘‘Ainda vale a pena, só que eu paro muito mais vezes no posto do que se abastecesse com gasolina’’, contou, enquanto enchia o tanque de álcool.
  O gerente do posto onde estava Caldeira, Pedro Batista Filho, também possui um bicombustível. ‘‘Acho que hoje o consumidor não pode mais pensar nesse tipo de carro pensando na vantagem de preço do álcool’’, opina. ‘‘A maior vantagem hoje é não estar preso a um combustível só e ter opção de escolher o mais barato do dia, ou o mais adequado para andar na cidade, na estrada, etc. ’’ Na maioria das vezes, Batista abastece seu carro com gasolina.
  Mas há quem pense que ter essa opção é pouco pelo investimento feito. A comerciante Márcia Severo nem esperou a reportagem terminar a pergunta. ‘‘Não valeu a pena investir num carro bicombustível’’, falou logo, sobre sua Zafira. ‘‘Foi mais caro que um carro normal, não acho que anda bem como um carro de um combustível só e agora acabou a vantagem do preço do álcool.’’ Ela diz que pretende trocar de carro se o preço do álcool aumentar novamente e alguns parentes farão o mesmo.
  O representante comercial William Almeida também se diz insatisfeito. Após encher o tanque de gasolina, disse que está pensando em trocar de carro. ‘‘Em alguns postos já não acho mais álcool e, quando acho, o preço não é bom.’’

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