Consumidor quer mais potência e conforto
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sábado, 05 de maio de 2012
João Fortes <br> Reportagem Local 
Há alguns anos eles eram preferência nacional e faziam a cabeça de muitos motoristas que priorizavam preço e economia de combustível. Mas aos poucos essa realidade vem mudando e a participação dos carros 1.0 no mercado nacional cai progressivamente com o passar dos anos. Em dezembro de 2010, por exemplo, correspondia a 49,6% e um ano depois chegava a 45,23%. Este ano, o balanço da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) mostrou uma participação de 40% no acumulado até abril.
Nas principais concessionárias de Londrina, os responsáveis pelas vendas atestam esse cenário diariamente e notam que os clientes estão cada vez mais receptivos à ideia de escolher um modelo com motorização acima do 1.0, seja pelo custo-benefício ou por ter atingido um outro patamar de poder aquisitivo.
Na Fiat Marajó, por exemplo, a opção por um modelo 1.4 em vez de 1.0 já é comum, segundo o supervisor de vendas José Fernandes. Um dos principais fatores, segundo ele, é a pouca diferença de preço entre um e outro. ''No caso do Palio, vai dar uns R$ 2 mil de diferença. Se embutir isso num financiamento, nem se percebe.''
Segundo Fernandes, ter mais potência - e consequentemente mais segurança para fazer ultrapassagens - é outro fator decisivo no convencimento dos clientes que optam pelos motores acima de 1.0 e chegam até a mudar de ideia quanto ao modelo desejado. ''É comum a pessoa chegar querendo um Uno Mille e sair com um Novo Palio. O consumidor fica com essa dúvida na cabeça, mas logo vê as vantagens. Do 1.0 para o 1.4, por exemplo, são 11 cavalos de potência a mais'', destaca.
Na Ford Tropical a clientela também percebe as vantagens de trocar o carro 1.0 por um 1.6. Para Emerson Magro, gerente comercial, o principal fator é o preço, já que a Ford tem promovido a ideia de pagar o valor de um carro 1.0 em um 1.6. É o caso do Fiesta completo, que com o motor 1.6 sai por R$ 33.900. ''Além do preço, pode haver vantagem no consumo de combustível quando se comparam as duas motorizações. No caso do Fiesta, na cidade, a média é praticamente a mesma, 7 km/litro com álcool e 9 km/litro com gasolina. Mas na estrada, o 1.6 pode ser até mais econômico'', afirma Magro.
Para o gerente comercial da Metronorte Chevrolet, Cláudio Felismino, a tendência do consumidor não é apenas buscar mais potência, mas carros que sejam realmente melhores. ''Até dentro do 1.0 o cliente está optando pelo carro completo'', afirma.
Mas, mesmo para esses modelos é possível gastar um pouco a mais e comprar um outro que ofereça mais conforto e vantagens diferenciadas. Basta avaliar a diferença entre o Celta completo, que custa R$ 29.900, e o Corsa completo, que sai por R$ 33.900.
Seguindo essa tendência, a procura pela motorização 1.0, obviamente, cai e em alguns casos praticamente não existe. ''O Prisma tem a versão 1.0, mas não tem mais venda, só sai 1.4, que é R$ 2 mil mais caro'', ressalta Felismino.
Na Norpave Volkswagen os modelos 1.0 também estão em baixa pela diferença de preços, como explica o gerente de vendas Luiz Carlos de Andrade. O cenário acaba influenciando na administração dos estoques das concessionárias, que vêm mudando a forma de fazer os pedidos para as fábricas. ''Muda o perfil do cliente e você precisa equalizar o estoque para administrar melhor'', afirma Andrade. ''Em abril as vendas de veículos 1.0 caíram 30% e isso nos leva a mudar o mix de produtos'', ressalta Magro.
Troca aprovada
Até a semana passada o supervisor de cobrança Fernando Morini dirigia um Chevrolet Classic 1.0, mas nesta semana já está com um Agile LT 1.4. A mudança, segundo ele, não foi apenas pela potência, mas por um conjunto de fatores, incluindo mais conforto e a vantagem de ter um veículo mais compacto.
Ele admite, porém, que deixar o motor 1.0 já estava nos seus planos. ''Quando eu viajava com a família, se tornava cansativo, principalmente para fazer ultrapassagens. O carro me serviu muito bem, mas chega uma hora que é preciso partir para algo melhor'', afirma. ''Além disso, queria um modelo com ar-condicionado e com motor 1.0 ficaria complicado.''
Quem também passou recentemente por essa ''evolução'' foi o agente de apoio de serviços gerais Otávio Alves de Oliveira. Ele trocou um Gol 1.0 por um Fiesta 1.6. Além do preço, foi atraído pela segurança. ''Compensa porque é mais seguro na hora das ultrapassagens'', afirma.


