Com dinheiro na mão fica fácil comprar um carro: é só escolher o modelo que mais lhe agrada e pagar pelo bem à vista. Já para aqueles que desejam ter um automóvel mas não têm dinheiro suficiente, o mercado oferece duas opções básicas de parcelar o valor do veículo e assim realizar o sonho de andar motorizado.
De um lado está o consórcio, com prazo de pagamento maior e valor das parcelas mais baixas, porém com a desvantagem do consorciado ter que esperar a contemplação em um dos sorteios que acontecem mensalmente. A outra opção é o financiamento, no qual o cliente conta com a vantagem de receber o bem no momento da compra, mas com taxas de juros bem maiores.
''Consórcio é para quem planeja. O sistema tem a seu favor o custo bem mais baixo do que um financiamento'', afirma Rodolfo Montosa, presidente da Associação Brasileira das Administradoras de Consórcio, regional Paraná (ABAC). Na opinião dele, essa alternativa se encaixa perfeitamente para aqueles que na prática não conseguem ter disciplina de poupar o dinheiro todo mês e não têm grana para bancar o automóvel à vista.
Ele argumenta que a contestação de alguns economistas, sobre o fato de poupar dinheiro através de consórcio não ser um bom negócio, é simplesmente numérica. ''Chega a ser até uma recompensa para o consumidor, pois ele se obriga a destacar um percentual do orçamento com o objetivo de aquirir um bem, e não paga taxas de juros'', analisou.
A implicação, entretanto, ao comprar uma cota de consórcio de qualquer valor, é a taxa de administração que gira em torno de 0,20% ao mês, em um grupo com parcelas de até 60 meses. Outra despesa é o fundo de reserva que fica em torno de 3% ao longo do contrato. ''O fundo serve para uma eventual necessidade no caso de ocorrer muita inadimplência. Em geral, no final do contrato, existe um saldo remanescente. Isso funciona apenas como garantia'', apontou.
Ao destacar as vantagens de se obter um bem através desse sistema, Montosa compara a compra de um carro no valor de R$ 15 mil. Ao final de 60 meses, se o cliente optar pelo consórcio, o automóvel vai custar aproximadamente R$ 17 mil. Já se a alternativa for o financiamento, com uma taxa média de juros de 2%, a pessoa vai pagar pelo mesmo bem quase R$ 30 mil.
Para o gerente de mercado da Caixa Econômica Federal, Carlos Roberto de Souza, a maior vantagem do finaciamento é a possibilidade do cliente ficar com o bem na hora da compra. ''Esse sistema sai mais caro, porém serve perfeitamente para quem precisa do carro e não tem como esperar'', defendeu Souza. Ele contou que, na Caixa, a taxa de juros varia de 2,5% a 3,5%, e o cliente pode parcelar a compra em até 36 meses.
Além das taxas de juros, outro empecilho segundo Souza, é que o cliente precisa alienar o automóvel ao fazer um contrato por finaciamento. A despesa do serviço fica entre R$ 70 e R$ 80. O gerente informou que o consumidor tem mais um dispêndio com a taxa de contratação no valor de R$ 30. Ao realizar um contrato com o banco, o cliente só poderá comprometer 30% do seu salário com as parcelas mensais.
Além de financiamento, Souza frisou que a Caixa oferece outra linha de crédito: a consignação. Segundo ele, nesse sistema os juros são mais baixos, em torno de 1,75% ao mês, e o empréstimo também pode ser parcelado em até 36 vezes. Para conseguir ter acesso a essa alternativa, no entanto, é preciso que a empresa onde o cliente trabalha seja conveniada à Caixa Econômica. ''Essa operação é mais simples e prática. Se eu resolvo trocar o carro enquanto estou pagando as prestações do empréstimo, não vou precisar da autorização do agente financeiro para realizar o negócio, pois o carro não fica alienado'', exemplificou.

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