Os motoristas têm aderido bastante ao fone de ouvido mono-auricular. Prático e fácil de manusear, o aparelho passa ao condutor liberdade total para falar e dirigir ao mesmo tempo. Quem usa o fone garante que o aparelho é uma grande solução para quem precisa usar o telefone no trânsito.
Mas com a confusão no artigo 252 do CTB, o condutor pode acabar sendo notificado por estar usando o equipamento. Quem conhece os seus direitos, porém, pode acabar se livrando do problema com a argumentação.
Foi o que fez a advogada Maria Tereza Cunico de Mendonça. Há dois meses, ela estava dirigindo e percebeu quando um agente de trânsito a notificou. Como conhecia a Lei, parou e foi conversar com ele. Depois de quase ''rodar a baiana'' no meio da rua, o agente entendeu que os argumentos dela estavam corretos e não terminou o processo. ''Eu falei que se fosse assim, não poderia ter rádio e nem andar com um passageiro, porque estaria conversando ao mesmo tempo. E ele concordou comigo'', explica.
Ela gosta tanto do aparato que não desgruda dele nem quando chega em casa. ''Posso falar com você e continuar o meu trabalho sem problema nenhum'', comenta.
Maria Tereza conta que um dos motivos que a levou a comprar o fone foram as duas multas que tomou por usar o telefone celular enquanto dirigia.
O empresário Ademir Gonçalves de Carvalho comprou o fone logo no início do novo Código de Trânsito, depois que recebeu a multa de uso do celular em casa. ''Acho que errar uma vez é humano, mas persistir no erro já é abusar demais.''
O empresário diz também que, como sabe que não existe uma orientação única para todos os agentes de trânsito, prefere evitar problemas, tirando o aparelo quando é parado em uma blitz, por exemplo. ''Nunca ninguém falou que não pode usar. Mas, para não me incomodar, quando passo por uma blitz, tiro e guardo'', revela.
A advogada Carmen Silvia Borba comprou o fone há um ano e não se arrepende da aquisição. Ela se acostumou tão bem ao aparelho que não o usa apenas quando está dirigindo, mas também quando está trabalhando. ''Não preciso ficar segurando o telefone. Uso direto, inclusive aqui no escritório'', explica.
Carmen diz que, antes de comprar o aparelho, já havia sido multada por usar celular, mas que esse não foi o motivo da aquisição. ''Quando comprei nem pensei na multa. Quando você dirige com uma mão, você não tem a mesma habilidade caso precise fazer uma manobra. É uma maneira de se proteger mais'', ensina. (F.O.)

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