Parte integrante de um amplo estudo global sobre a indústria automotiva, a recente pesquisa Carros Conectados, realizada pela GfK no segundo semestre de 2014, entrevistou 5,8 mil consumidores na Alemanha, Brasil, China, Estados Unidos, Reino Unido e Rússia, considerados mercados-chave para o setor. Os entrevistados avaliariam, por meio de uma pesquisa on-line, diferentes conceitos de carros conectados, revelando quais recursos e funcionalidades consideram realmente importantes na hora de escolher um novo automóvel.
Um grupo que correspondeu a 20% da amostra recebeu a denominação Leading Edge Consumer (LEC) ao se destacar classificando todos os conceitos estudados como muito ou extremamente atraentes. Meire Waki, diretora da área automotiva da GfK no Brasil, explica que fazem parte do LEC os consumidores influentes, os apaixonados por compras ou os que são pioneiros na adoção de novas tecnologias, produtos ou serviços.
Segundo ela, a pesquisa apontou que mais da metade dos motoristas brasileiros, chineses e russos consideraria as soluções de conectividade para ajudar a amenizar suas preocupações ao dirigir.
Conforme o estudo, ao declarar o que desejam de um carro conectado, os brasileiros classificaram a eficiência do combustível como sua principal consideração, seguida de custo-benefício, durabilidade, proteção, segurança e prevenção de acidentes, fatores que classificam como igualmente importantes. O alto desempenho e adequação à personalidade foram apontados menos importantes, evidenciando que a satisfação pessoal não é prioridade para o público nacional. A pesquisa revelou ainda que Brasil e Rússia são mercados em que os conceitos de bem-estar e liberdade são quase tão valorizados quanto o de segurança.
De acordo com Meire, o estudo mostrou diferença de comportamento – e necessidades - entre motoristas de países desenvolvidos e de países em desenvolvimento. Um dos fatores que levaram a uma opinião regionalizada durante a pesquisa on-line é a disponibilização de itens de conectividade nos automóveis, que na Europa e nos Estados Unidos já vêm de série e nos demais países ainda não. "Testamos 21 equipamentos que resultaram em sete conceitos e, entre eles, os equipamentos ligados à segurança tiveram destaque", diz a diretora, citando o freio de emergência e a chamada telefônica de emergência como principais tecnologias assinaladas pelos entrevistados globalmente. "Vale lembrar que esses equipamentos já são de série em muitos veículos vendidos nos mercados europeu e norte-americano, enquanto que no Brasil ainda estão presentes apenas em carros premium."
Dos sete novos conceitos oferecidos pelo carro conectado, motoristas brasileiros classificaram "ultra seguro" como o mais importante. A GfK definiu como "ultra seguro" um carro que se conecta com outros carros e integra câmeras de segurança. "É muito forte no Brasil o medo de roubo e o medo de o carro não ser seguro quanto à prevenção de acidentes", destaca Meire.
Já o conceito que menos agradou na pesquisa é o de "gerenciador de vida", um carro que se conecta com outros equipamentos da sua casa, como portas, luzes, refrigerador, etc, para facilitar a vida do motorista, "ainda que o brasileiro tenha se mostrado bastante interessado em novas tecnologias", completa Meire.
Segundo ela, enquanto na Europa equipamentos de entretenimento não interessam aos motoristas e passageiros, no Brasil o interesse por este tipo de tecnologia é alto.
"O brasileiro viaja mais, tem contato com outros mercados e também quer ter acesso ao que ainda não está disponível no País", declara a diretora, ressaltando, no entanto, que "o brasileiro se interessa mas não compra". "Existe ainda a questão do custo-benefício."
Para Meire, saber que os brasileiros se preocupam com segurança e custo oferece oportunidades para que os fabricantes de carros conectados consigam atender essas necessidades. "A pesquisa vem dar suporte à indústria automotiva, principalmente na criação de estratégias de comunicação com o consumidor e também sua rede de concessionários", justifica.

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