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domingo, 21 de dezembro de 2014
Cecília França<br>Reportagem Local 
O empresário Irineu Augusto de Mello consegue relatar em detalhes o dia em que adquiriu o Mercury cupê 1946, originalmente verde e hoje pintado de vermelho. "Por volta de 1974, eu estava querendo um carro para fazer um hot rod (carros que os jovens americanos modificavam, nas décadas de 40 e 50, especialmente com rodas largas atrás). Um amigo disse que um senhor de Arapongas tinha o Mercury e fui conhecer", relembra.
Quando viu o carro todo original e preservado, recorda, mudou imediatamente os planos. "Pensei fazer um hot desse carro é um crime", conta Mello. A negociação também não se concretizou na primeira visita - nem nas seguintes. O empresário diz que o antigo dono não parecia ter intenção real de vender o veículo, pois, a cada encontro, pedia um valor mais alto. Dos iniciais 5 mil, a compra do Mercury acabou sendo efetivada por cerca de 10 mil cruzeiros, moeda brasileira na época.
Assim começou a coleção de Mello, que inclui, entre outros, um Studebacker e um Mercedes 1979. Um Impala pode entrar no rol em breve. Com o tempo, a paixão virou negócio, hoje tocado pelas filhas, que alugam os veículos para eventos, especialmente casamentos. "Elas chegam a ter dois casamentos por dia, o motorista vai vestido com quepe, luva", explica o empresário.
O interior do carro foi adaptado para a ocasião: no espaço onde ficava o banco dianteiro do passageiro agora figura um recipiente próprio para acomodar uma garrafa de champanhe e duas taças. Atrás, o banco inteiriço garante o conforto dos "pombinhos".
Originalmente verde, o Mercury foi pintado há pouco tempo com o vermelho da época. Mello foi em busca dos catálogos originais para garantir a fidelidade do tom, que, segundo ele, ficou quase perfeito. De acordo com o proprietário, a troca da bateria original de 6 Volts por uma de 12 Volts foi a única mudança mecânica realizada.
Requinte
Os veículos antigos atraem apaixonados por design e também impressionam curiosos, especialmente pelo esmero com os detalhes e pelos materiais de alta qualidade. No Mercury, bancos e portas em couro bege reforçam o requinte do interior, que também conta com maçanetas e parte do volante cromadas; marcadores de velocidade, temperatura e combustível com indicações em inglês; e velocímetro destacado, ao centro.
Externamente, a grade dianteira rebuscada é contornada por molduras cromadas; linhas também cromadas ressaltam os contornos essenciais do veículo. De apenas duas portas, o modelo cupê tem janelas traseiras pequenas. Em contrapartida, o espaço interno é amplo.
Se hoje são negócio, Mello conta que os carros antigos eram motivo de divertimento da família aos fins de semana. "Antigamente, eu pegava o carro e saía para passear com minha esposa nos fins de semana; no sábado, o carro já estava lustrado", relembra.
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