Concessionário teve que aprender a vender em 96
Agência Estado
Na esteira do crescimento de produção (recorde em 96) e da abertura do mercado, o setor de venda de carros está tomando rumos diferentes daqueles de quatro anos atrás; está se alinhando ao tipo de mercado dos países desenvolvidos.
Essa transição está sendo um duro golpe no sistema montado para atender um mercado fechado, restrito, com produtos ultrapassados e uma inflação que desestimulava o trabalho em troca do faturamento através do giro rápido e do lucro financeiro.
Por isso, antes de falar em crise é preciso entender que o mercado de carros no Brasil está vivendo um momento de mudança, definitiva, sem volta. Não se trata de mais um dos altos e baixos que o setor viveu nos últimos 15 anos, com períodos de bons lucros, crises com os pacotes econômicos, recessão e ganho com o dinheiro alheio aplicado no over.
Diante dessa sensata análise, o setor está tratando não de buscar alternativas para vencer a crise, mas entender o novo momento do País e se adaptar a ele, para não ser sucumbido pelos novos tempos. Essa adaptação consiste numa mudança radical de postura junto ao cliente, que agora deve ser conquistado pelo revendedor.
A estabilidade da moeda e o excesso de oferta provocado pela abertura das importações foi decisivo para abalar a saúde financeira dos revendedores. As marcas estrangeiras trouxeram junto com seus carros de luxo uma nova forma de relação com o cliente, uma nova proposta de abordagem que o revendedor brasileiro não conhecia. Era hora, portanto, de criar um sistema de vendas eficiente.
Esse novo panorama fez muita gente fechar as portas. Das 8 mil lojas de 94 restam hoje cerca de 6 mil e o volume de emprego caiu na mesma proporção: de 232 mil, em 94, para 189 mil, hoje.





