Muitas vezes as pessoas ficam em dúvida quanto ao tipo de combustível a ser utilizado no seu carro. Não é à toa. Existe muito mais do que a gasolina, o álcool e o diesel comuns. Alguns aditivos podem originar tipos diferentes de combustível e as empresas podem dar nomes diferentes a eles, deixando o consumidor ainda mais indeciso.
A gasolina comum que costumamos consumir nos automóveis é a tipo C, comercializada nos postos revendedores. Ainda assim, esse combustível não é o derivado puro do petróleo. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) determina a adição de 25% de álcool etílico anidro combustível à gasolina tipo A (isenta de álcool anidro). A octanagem, que é a medida de resistência da gasolina à detonação é, no mínimo, igual a 80 IAD (Índice Anti-Detonante).
É justamente o álcool anidro, adicionado à gasolina, que exerce esse papel de fazer do combustível mais resistente à detonação. ''É a substância antidetonante da gasolina. Ela precisa ter esse aditivo para que chegue ao máximo do seu desempenho, mas não pegue fogo antes de entrar em combustão no motor'', explica a professora doutora Carmen Luisa Barbosa Guedes, coordenadora de laboratório do Departamento de Química da Universidade Estadual de Londrina que realiza pesquisas em petróleo e biocombustíveis.
O álcool combustível, utilizado em motores ciclo Otto, não é o mesmo aditivo da gasolina. É o álcool etílico hidratado combustível (AEHC), que possui água em sua composição. Nesse caso, o grau alcoólico do combustível fica entre 92,6% e 93,8%, diferente do grau encontrado no AEAC, de 99,8%.
O álcool hidratado também é regulamentado pelo Mapa. Segundo a professora, não há diferença de desempenho entre carros abastecidos com álcool hidratado ou com gasolina comum. A gasolina aditivada tipo C contém aditivos como detergentes e dispersantes. ''As vantagens da gasolina aditivada é manter o sistema de injeção do veículo sempre limpo, reduzindo o custo com a manutenção, apesar de o custo do combustível ser mais alto. Evita a formação de depósitos, assegurando a limpeza de todo o sistema de alimentação do combustível'', explica.
Segundo ela, a gasolina aditivada tipo C é ideal para veículos nacionais e importados com motores de altas taxas de compressão e alto desempenho que tenham a recomendação dos fabricantes de utilizar combustível de elevada resistência à detonação. ''As principais características que diferenciam a gasolina aditivada tipo C da gasolina comum tipo C são maior IAD e menor teor de enxofre.''
O teor de enxofre é um dos aspectos que mudaram a forma como o Diesel Metropolitano é comercializado. A substância caracteriza-se por ser altamente corrosiva, e oxida facilmente em contato com o ar atmosférico. Desde janeiro de 2009, o combustível passou a ter 0,005% de enxofre em sua composição (Diesel S50). ''Isso representou uma redução de 90% na concentração desse elemento em relação ao Diesel Metropolitano S500.'' O Diesel S500 era vendido com teor de enxofre de 0,05%.
O Diesel Metropolitano é utilizado em transportes pesados, como caminhões e ônibus em cidades brasileiras com maior concentração de frotas em circulação. Pode ser aditivado ou não. Já o Óleo Diesel Interior, utilizado em máquinas agrícolas, tratores, colheitadeiras, veículos de transporte de cargas e passageiros e locomotivas, por exemplo, é encontrado em cidades com menor circulação de frotas. ''É o combustível mais comercializado no Brasil'', afirma Carmen. Esse tipo de combustível tem o teor de enxofre elevado, com concetração de no máximo 0,18%. Também pode ser vendido aditivado ou não.
Em termos de combustíveis, ainda há o biocombustível, derivado de gorduras animais ou óleos vegetais. ''No Brasil, é produzido principalmente a partir do óleo de soja.'' Pode substituir total ou parcialmente o uso de óleo diesel em caminhões, tratores ou automóveis. ''A mistura atual do biodiesel no mercado brasileiro é de 5% ao diesel de petróleo, o B5. O biodiesel puro é denominado B100'', esclarece a professora.

mockup