Uma opção para quem quer comprar um carro com preço abaixo do praticado no mercado é ir até um leilão. Dependendo do modelo do automóvel, ele pode sair até 25% mais barato que nas lojas convencionais. No entanto, quem resolver se aventurar em um leilão tem que estar consciente dos riscos que está correndo. Toda a responsabilidade após o lance, seja de problemas no carro ou débitos atrasados, como multas, cabe ao arrematante, que pode acabar ficando com o ''mico'' na mão. Ao leiloeiro não cabe qualquer responsabilidade por defeitos ou vícios ocultos.
Por isso, para o leilão não se tornar uma loteria é muito importante tomar alguns cuidados, que podem fazer com que o jogo tenha um risco calculado. Quem diz isso não é apenas quem participa de leilões como compradores, mas os próprios leiloeiros. ''Quem vai participar de leilão deve saber que não é dada garantia nenhuma sobre a condição do carro'', diz Luiz Odair Favareto, leiloeiro oficial.
Antonio Carlos Natal, também leiloeiro, diz que a responsabilidade depois da compra é do arrematante. No entanto, uns dias antes do leilão é entregue um laudo com as condições do veículo, que inclui se o automóvel entrou no pátio funcionando. ''Nós até deixamos a pessoa funcionar o carro. Mas o interessado assina uma certidão dizendo que sabia das condições do automóvel'', explica.
Mas é bom saber que são poucas as empresas que permitem que o interessado ligue o motor do automóvel. Geralmente o que se pode fazer é apenas olhar tanto o motor quanto o interior do veículo. Isso deve ser feito, de preferência, uns dias antes do leilão, para que se possa ver os detalhes com calma. E é por isso que o leilão é visto por muitos como uma loteria, na qual se pode perder ou ganhar.
Os carros que são leiloados geralmente pertencem a bancos. São veículos de pessoas que não conseguiram pagar o financiamento. Existem desde carros bons, que foram bem cuidados, como carros que, olhando de longe, é fácil perceber que não passam por uma oficina há algum tempo.
Quem costuma frequentarleilões ensina que, quando se monta um preço, o interessado deve calcular uma margem para problemas. Ou seja, deve-se calcular uma quantia que ele pode vir a gastar se o carro apresentar um problema. Isso evita que o novo dono saia no prejuízo. ''É importante calcular o que precisa trocar em relação aos defeitos aparentes, e uma margem de problemas que podem aparecer depois, além da comissão do leiloeiro. Ainda assim, o carro precisa custar no mínimo 10% menos do que o valor de mercado'', acredita o engenheiro Sérgio Gusso, que já comprou uns seis carros em leilão e diz que sempre fez bons negócios.

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