A crise econômica aliada ao aumento da frota nacional, que consequentemente acompanha o número crescente de acidentes nas estradas, transformaram o ramo de compra e venda de peças usadas em um negócio rentável e de grande procura. Os motoristas com pouco dinheiro no bolso estão garantindo um bom movimento nos ferros-velhos, onde encontram material de reposição até 80% mais barato. No caso das motocicletas, os preços podem chegar a 1000% abaixo das peças originais.
Em Londrina, onde estão sediadas oficialmente 25 empresas que atuam no ramo (existem desmanches clandestinos que elevam esse número para cerca de 35 ferros-velhos), sucateiros e mecânicos não reclamam dos negócios realizados longe das revendedoras e assistência técnica especializada. ‘‘Meus próprios clientes pedem para procurar peças usadas. Busco sempre as lojas que estão no ramos há quase 20 anos e nunca tive problemas’’, diz Aparecido da Silva, mecânico de 67 anos e 30 de profissão, lembrando que a compra é rápida (sem precisar fazer pedidos) e a troca é garantida em caso de problemas.
Segundo ele, apesar das vantagens, é bom o comprador ficar de olho. ‘‘Sugiro uma boa pesquisa antes de comprar. Em alguns casos, o valor é parecido com o de um novo’’, alerta.
Para o dono de ferro-velho José Carlos Messias, a credibilidade e o preço baixo são dois fatores que influenciam as vendas. ‘‘Estamos no ramo há 15 anos e compramos sucata apenas de companhias de seguro e em leilões oficiais. Muitas vezes as peças estão praticamente novas’’, comenta Messias, referindo-se a carros batidos com apenas um ou dois anos de uso.
Segundo o empresário, 70% da procura está ligada às peças de mecânica, seguidas pelas de lataria e acabamento. A maioria dos clientes possui veículos entre três e dez anos de uso. O valor médio da sobressalentes é 50% mais baixo que a original, mas pode chegar 80% em alguns casos.
Nos ferros-velhos de motos (existem cinco na cidade), os preços são ainda mais convidativos. ‘‘Para exemplificar, um par de rodas novas das CB 400 (Honda) custa R$ 800. Aqui, vendemos o mesmo por R$ 70,00’’, afirma o proprietário Wilson Donizete Ramos, que atua no ramos há seis anos. Ele lembra que a procura tem aumentado nos últimos dois anos devido ao grande número de mototaxistas que circula em Londrina e região. ‘‘Mesmo assim, é um investimento alto. Pagamos pelo material à vista nos leilões e muitas vezes as peças ficam paradas meses na prateleira’’, diz Ramos, que recebe diariamente cerca de 30 clientes.

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