Como parar um Stock Car a 260 km/h
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sábado, 09 de outubro de 2010
Reportagem Local 
Para correr atrás do título da Stock Car, os pilotos terão que acelerar bastante em Londrina, onde será disputada a nona etapa do campeonato. Mas tão importante quanto pisar fundo no acelerador é conseguir um bom desempenho nas freadas, especialmente na pista londrinense, uma das mais travadas de toda a temporada.
Neste ano, em que os carros da Stock Car estrearam um novo pacote técnico (com motor mais potente, gerando 520 cavalos de potência e velocidade máxima acima dos 260 km/h), esse compromisso ficou em evidência.
Os freios de um carro da Stock Car costumam trabalhar em condições bem extremas, suportando incríveis pressões em temperaturas de 700 graus Celsius. Para enfrentar tamanho desafio, as pastilhas produzidas pela Ecopads, foram desenvolvidas especialmente para a competição brasileira.
''O maior diferencial em relação aos anos anteriores é que o freio atual foi feito sob medida para o carro da Stock. Os técnicos da JL (Racing, construtora do chassi) e nós, pilotos, participamos do processo de desenvolvimento dessa pastilha de competição. Em Ribeirão Preto (SP) e Salvador (BA), os freios foram exigidos ao extremo, porque eram dois circuitos de rua. No entanto, essa situação irá se repetir em Londrina, que tem um traçado bem exigente e travado, quase como uma pista urbana'', explica o piloto Pedro Gomes, que está na categoria desde 2002.
Outro diferencial da Ecopads é que ela não utiliza amianto, um componente tóxico. ''Com isso, temos um produto ecologicamente correto, que não agride o meio ambiente e que consegue proporcionar alto desempenho nas pistas'', afirma Davi Latorre, diretor de desenvolvimento da empresa, que também fornece freios para outras categorias, como a Copa Montana, divisão de acesso da Stock Car - as duas melhores equipes sobem para a principal em 2011.
Desenvolvida em dinamômetros com componentes selecionados para proporcionar excelente performance em diversos circuitos, a pastilha de freio da Stock Car atinge temperaturas elevadas, variando de 350 a 700º C. Mesmo com tanto calor, o freio preserva as suas características de resistência mecânica, permitindo que as pastilhas tenham boa durabilidade para suportar as várias situações de aplicações em diversos autódromos brasileiros.
As pressões no pedal de freio em uma prova são bem diferentes das aplicadas nos veículos de rua, por isso a necessidade da pastilha de competição ter uma alta resistência mecânica e térmica para suportar uma prova sem apresentar desgaste prematuro. Para se ter ideia do grau elevado de exigência de uma corrida da Stock Car, uma pastilha de freio para competição gasta em torno de 4 mm em uma etapa de 50 minutos. Isso equivale ao desgaste de 25 mil quilômetros acumulados em um carro normal de rua.
Isso só é possível porque a pastilha de competição conta com maior resistência térmica e mecânica. As convencionais usadas em veículos de rua trabalham em regime de temperaturas inferiores a 400º C, já que, nesse caso, é mais importante o fator conforto de frenagem e nível de ruído - e não a alta performance em um curto espaço de tempo.
''É por isso que uma pastilha de competição não é recomendada para um carro de rua, já que, no dia a dia, as prioridades são outras. Mas o intercâmbio de tecnologias é evidente, já que o aprendizado nas pistas proporciona melhores materiais e produtos para um carro comum, sobretudo no longo prazo'', explica Latorre, enfatizando o trabalho de segurança desenvolvido nas competições.
''O motorista de um carro de rua pode ficar tranquilo: usamos e abusamos do freio em condições extremas. O melhor laboratório para um produto automotivo é mesmo o autódromo'', diz Pedro Gomes, que, em algumas pistas, reduz a velocidade de seu carro de 260 km/h para 70 km/h em uma freada de apenas 70 metros.
Então, o melhor mesmo é deixar que os 34 pilotos da Stock Car continuem testando em condições extremas o freio de seus carros. Para os motoristas comuns fica a certeza de que, no futuro, serão beneficiados com o desenvolvimento dos avanços tecnológicos vindo das pistas.


