Como nasce um SUV
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sábado, 09 de maio de 2015
Cecília França<br> Reportagem Local 
Goiana (PE) - Os utilitários esportivos são os novos queridinhos dos brasileiros. Mas quem vê esses veículos rodando pelas ruas não pode nem imaginar por qual processo eles passaram até chegar às concessionárias. Para ver de perto a montagem de um dos principais lançamentos do ano no segmento, o Jeep Renegade, fomos convidados pela Fiat Chrysler Automobiles (FCA) para conhecer o mais moderno Polo Automotivo da marca, em Goiana, na Zona da Mata Pernambucana.
A indústria tem capacidade instalada para produzir nada menos que 45 carros por hora. O analista do setor de qualidade da fábrica, Geaze Soares, explica que o processo de construção do Renegade inclui quatro etapas: prensas, funilaria, pintura e montagem. Na primeira, as placas de aço são moldadas, dando origem às partes do veículo, como para-lamas e capô. As máquinas aplicam 18 golpes por minuto.
"Parece simples, mas tem que ter bastante alinhamento e geometria das peças", ressalta Soares. Na sequência, as placas moldadas, ainda separadas, seguem para a funilaria, onde são soldadas. "É feita toda a conexão das partes para formar a carroceria do veículo", resume o analista.
A funilaria é a parte que mais impressiona os visitantes em virtude da automação. Não à toa, o filho da gestora de Comunicação e Sustentabilidade da fábrica, Rosângela Coelho, classificou o local como "a fábrica dos Transformers", segundo relato dela. Até 18 robôs trabalham simultaneamente, aplicando cem pontos de solda a cada 60 segundos. No total, existem 650 robôs.
Depois da carroceria soldada, o carro parte para a pintura. A tecnologia utilizada pela FCA permitiu eliminar uma etapa deste processo - a aplicação de um primer anterior à pintura -, o que contribuiu para um menor consumo de energia e menos emissões na atmosfera. Primeiro, o veículo recebe uma pintura contra corrosão, logo após, uma massa para isolamento e, por fim, cor e verniz.
Na montagem, última etapa da construção do veículo, a carroceria é unida ao trem de força automaticamente. Outros robôs fixam vidros e também marcam os chassis. Depois de colocadas as portas, no final da linha, são realizados alguns testes antes de o veículo, pronto, ser entregue para a parte de convergência.
"Lá acontece o alinhamento das rodas e a regulagem dos faróis", explica Soares. O veículo ainda passa por testes de frenagem e recebe um banho para avaliação do isolamento da cabine para infiltrações. Apesar de produzir apenas o Renegade, por enquanto, a linha está preparada para montar até quatro modelos ao mesmo tempo.
O Polo Automotivo Jeep é a unidade mais moderna da FCA no mundo por reunir, em um mesmo local, as 15 mil melhores práticas, processos e tecnologias acumuladas pelo grupo. A maioria das soluções implantadas na fábrica podem já ter sido utilizadas em outros estabelecimentos, mas o que efetivamente distingue esta planta é a combinação de todas as tecnologias inovadoras em um mesmo processo produtivo.
O sistema de produção é chamado World Class Manufacturing (WCM). Ele assegura a melhor interação entre homem e máquina, melhorando continuamente todos os processos. Outra vantagem da fábrica em Goiana é que as peças entram diretamente, sem estoque intermediário, uma vez que fornecedores estão instalados no mesmo terreno. Isso confere agilidade à montagem.
Depois de prontos, os Renegades vão para o pátio da fábrica à espera do transporte até as concessionárias e, quem sabe, à sua garagem.


