Eles são empregados nos mais variados motores a combustão, desde uma simples motosserra até os grandes aviões. Possuem diversas configurações, são normalmente fundidos em um único bloco de alumínio ou ferro para suportar condições extremas de funcionamento e altas temperaturas e podem abrigar de um até dezesseis pistões. Mas você sabe mesmo qual o trabalho que o cilindro realiza?
O cilindro de um motor é onde o pistão realiza seu deslocamento. O seu nome, como não poderia deixar de ser, provém de sua forma cilíndrica. Na parte de cima, na extremidade do cilindro, encontram-se as válvulas de admissão e escape, responsáveis, respectivamente, por deixar entrar a mistura ar/combustível e eliminar os gases não utilizáveis para fora da câmara de combustão.
O Gerente de pós-vendas da Hyundai Caoa em Londrina, Milton Ruiz, explica que quando a mistura ar/combustível é jogada para dentro do cilindro, o pistão comprime essa mistura para cima. ''Em um determinado momento, uma faísca produzida pela vela, que pode ser de 12 a 14 mil volts, causa uma explosão que empurra o cilindro para baixo, gerando a força mecânica necessária para mover o veículo'', diz.
Existem diversas configurações de cilindros, sendo que cada uma apresenta uma vantagem diferente: mais barato no motor feito em linha, mais compacto no motor em V, ou com menos vibrações, no caso do boxer. Em relação ao consumo, Ruiz destaca que o modo de dirigir influencia muito. ''Se o motorista souber dosar o pé no acelerador, evitando fortes arrancadas e mantendo o motor trabalhando sempre nas rotações adequadas, um V6 pode, por exemplo, ser até mais econômico do que um motor de quatro cilindros'', destaca.
A potência do motor varia pela quantidade de mistura que sofre a explosão dentro do cilindro. Quanto maior o cilindro e os pistões, maior a potência. A exceção fica com os motores que tem o auxílio de um turbo e que proporcionam a mistura ar/combustível em uma quantidade muito maior.
Otimização
De acordo com o Coordenador do Curso Técnico em Manutenção Automotiva do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), Edison Bonifácio, antigamente a litragem do motor comandava o desempenho. Então, motores 2.0 ou 1.8 produziam muito mais força do que os 1.6. ''Atualmente, a otimização do motor é que gera mais potência, já que as fábricas estão adicionando componentes de alta performance. Carros com motores 1.4, mas com turbo, alcançam facilmente 150 cavalos'', explica.
Como os cilindros atingem altas temperaturas, na casa dos 300 graus, o sistema de arrefecimento é indispensável e tem que funcionar de modo adequado. No bloco do motor, o líquido de arrefecimento é o responsável por manter a temperatura adequada. Ruiz destaca que o motorista deve ficar de olho no nível de água do radiador. ''Se a pessoa somente usar água ela deve evitar colocar aditivos, porque isso pode causar entupimento no sistema e danos aos cilindros'', alerta.
Mesmo com todos os cuidados, os cilindros estão sujeitos a desgastes naturais causados pelo funcionamento, apesar do efeito ser diminuído pelo uso de óleo lubrificante. Quando isso ocorre, o veículo começa a apresentar sinais, como uma fumaça azulada e vazamentos de óleo, que somente são resolvidos com uma retífica. O motor é aberto e os cilindros são alargados para um diâmetro maior. Nesse caso, são necessárias ''camisas'', que nada mais são do que tubos cilíndricos colocados no bloco do motor para ajustar à nova medida. Também é necessária a troca dos pistões e anéis. Todos esses componentes podem ser encontrados em ''kits'' ou comprados separadamente em lojas de autopeças.
A manutenção preventiva é item essencial para a vida útil dos cilindros e dos demais componentes do motor. ''A troca de óleo dentro do prazo e combustível de boa qualidade são ações que o motorista não pode deixar de fazer se não quiser ter dor de cabeça com a manutenção do carro'', lembra Ruiz.
Bonifácio também alerta para a qualidade do combustível. ''Se o motorista colocar um produto de má qualidade no tanque do seu carro, seja gasolina ou etanol, quando ele for injetado no cilindro vai haver a queima antes do pistão atingir o limite da sua volta e vai haver um ''tranco'', que pode causar sérios danos aos componentes, como falhas na vedação dos anéis e folga nos virabrequins'', alerta.

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