Comércio prevê queda de 25% nas vendas de fevereiro
PUBLICAÇÃO
sábado, 28 de fevereiro de 1998
Agência Estado 
A queda das taxas de juros esperada para o início de março não deve resultar em alterações imediatas no comércio de veículos, que projeta para fevereiro uma redução de 25% nas vendas comparadas a igual período do ano passado. O setor acredita que somente a volta da alíquota de 6% para o Imposto sobre Operações Finaceiras (IOF) poderá mexer com o mercado. Desde maio a taxa está em 15% e provocou uma debandada de consumidores interessados nas vendas financiadas pelo Crédito Direto do Consumidor (CDC).
Os bancos ligados às montadoras passaram então a divulgar mais o sistema de leasing e oferecem hoje juros inferiores aos cobrados antes da crise asiática, que resultou no aumento das taxas internas. Em outubro, o percentual médio para o leasing era de 2,8%. Atualmente está em torno de 2%, mas em alguns casos é ainda menor. O Banco Ford, por exemplo, cobra 1% ao mês quando a entrada é de 50% do valor do carro.
Apesar do aumento registrado nas vendas pelo leasing, que não tem IOF, a procura maior de interessados em financiamento ainda é pelo CDC, diz o diretor da Associação Brasileira de Concessionários Chevrolet (Abrac), Mauri Missaglia. Ele acredita, por outro lado, que os bancos independentes poderão reduzir suas taxas e voltar a ter maior participação no crediário para veículos. As taxas das montadoras são subsidiadas e, portanto, mais competitivas.
As instituições pertencentes às próprias fabricantes respondem hoje por cerca de 80% dos financiamentos de veículos novos. Mas, como registraram inadimplência recorde no ano passado, estão mais criteriosas na liberação do crédito. De cada dez fichas que enviamos, cinco a seis são aprovadas, diz Missaglia. Mesmo não tendo um resultado imediato, a redução dos juros é bem-vinda, dizem os revendedores.
O balanço de 97 divulgado pela Anef (Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras) indica um crescimento de 3% em relação a 96 nas vendas de veículos através de financiamento, leasing e consórcio. No ano passado 547 mil clientes utilizaram esses instrumentos de crédito dos bancos das montadoras, contra 532 mil em 1996.
O valor médio dos financiamentos subiu de R$ 7.657 (96) para R$ 9.518 (97), o que representa um incremento de 24%.


