Comemoração especial
PUBLICAÇÃO
domingo, 25 de janeiro de 2015
Marcos Martins<br> Especial para a FOLHA 
Ele é um dos carros mais famosos no mundo, com mais de 21 milhões de unidades vendidas. No Brasil, ganhou status de queridinho e desperta paixões em fãs de todas as idades. Durante o passar dos anos esteve presente na vida de milhares de pessoas. Levou mães para maternidades, transportou amigos para fins de semana na praia. Foi, e continua sendo, ferramenta de trabalho para muita gente. Definitivamente o Fusca está ligado à rotina e a história dos brasileiros.
O primeiro modelo foi fabricado na Alemanha, em 1938. O último no México, em 2003. No Brasil ele chegou em 1950, desembarcando no Porto de Santos. Nove anos mais tarde começou a ser produzido por aqui. Em 1986, a montadora decidiu encerrar a fabricação. Um dos motivos foi a necessidade de abrir espaço na linha de montagem para o Santana e o Voyage.
O Fusca voltou em 1993, durante o governo Itamar Franco. Após 47 mil unidades, o projeto foi mais uma vez aposentado três anos depois. Somando todas as épocas, a VW brasileira fabricou 3.037.200 Fuscas, que tiveram lanternas e para-choques diferentes, acabamentos e detalhes peculiares, motores e configurações distintas. Ganhou apelidos curiosos, como o "Fafá", que relacionava as lanternas traseiras aos seios da cantora Fafá de Belém. Histórias que só o Fusca foi capaz de produzir.
O Dia Nacional do Fusca é comemorado em 20 de janeiro. A data é marcada por eventos e festas realizadas por amantes e colecionadores. Em Curitiba, desde o ano passado, a celebração é responsabilidade do California Look, um clube de amantes do Fusca que tem entre os fundadores João Paulo Simões e Marjorie Cavalcanti. O casal se conheceu há três anos, na praia. Foi amor à primeira vista. E no dia seguinte, passeando, descobriram que tinham mais coisas em comum do que podiam imaginar.
"Vi um Fusca passando na rua e comentei, achei bonito. Ela também falou dele e começamos a conversar sobre o assunto. Acho que foi coisa do destino", brinca o técnico em edificações. Ela concorda. "A gente ficou surpreso com a coincidência e passamos a frequentar eventos e festas juntos. É fantástico podermos compartilhar essa paixão juntos", resume a estudante.
O gosto dos dois pelo Fusca nasceu nas famílias. O primeiro carro de Simões foi um Fusca, comprado quando completou 18 anos. Influência do avô e do pai, também apaixonados pelo veículo, um xodó em casa. "Tenho outro carro para trabalhar e usar durante a semana. O Fusca 1967 fica na garagem, só uso nos fins de semana. Só eu lavo ou mexo nele. O ciúme é grande", admite.
Para ele, mais que um carro, o Fusca é um estilo de vida. "Acho que nenhum outro automóvel reúne tantos admiradores. Já perdi as contas de quantos amigos fiz por causa dele", revela.
Na casa de Marjorie, os carros antigos sempre tiveram espaço. O avô tem um Corcel há mais de 40 anos, mas o Fusca foi eleito por ela como o mais especial. "Ele agrega tanta gente. É uma família de apaixonados pelo veículo que se junta para dividir as histórias. Isso é fascinante", revela a dona de um Fusca 1968. Ciumenta com o carro, assim como o namorado. "Só quem tem um sabe como a atenção e o cuidado são especiais", garante.
O Fusca de Simões está sendo restaurado. Já passou nove meses na oficina, mas o trabalho ainda não está concluído. E assim que estiver finalizado, o casal vai passar a pensar no casamento. "A ideia é que ela chegue na igreja com ele. Então, antes dele estar pronto não tem casamento", brinca.


