DivulgaçãoEm oito meses, cerca de 5 mil carros novos tiveram problemas por causa do combustível adulteradoA adulteração na fórmula da gasolina e do diesel danificou os motores de cerca de 5 mil veículos novos em todo o País nos últimos oito meses, segundo dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), que reúne oito montadoras. A Assessoria de Qualidade de Produtos da Petrobrás confirma o aumento de reclamações de concessionárias e consumidores sobre deterioração de peças e mau funcionamento do motor de carros zero-quilômetro. O Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes (Sindicom) acusa uma rede de distribuidoras de adicionar solvente à gasolina.
‘‘Infelizmente, estamos atingindo um estágio de descontrole em que nenhuma empresa poderá ser responsável pelos produtos que põe à venda’’, afirma Antonio Ulrich, diretor do Sindicom e do Grupo Ipiranga. Segundo ele, as adulterações partem principalmente de uma rede de pequenas distribuidoras que passaram a poder também fornecer combustíveis para postos de qualquer bandeira. O coordenador de Controle de Qualidade do Departamento Nacional de Combustíveis (DNC), Edmilson Raldenes, diz que a questão deve ser analisada com cuidado. ‘‘Não se pode esquecer que as grandes distribuidoras competem com as pequenas’’, lembrou.
Desde que foi liberada a importação de solventes, em janeiro, antes restrita à Petrobrás, a entrada do produto no Brasil cresceu mais de 20 vezes. Dos 200 a 300 metros cúbicos importados por mês, a compra passou para até 5 mil metros cúbicos por mês. ‘‘Em vários casos foi constatada a utilização de solvente de tinta na composição química do combustível’’, diz Ana Maria Souza Machado, técnica da Assessoria de Qualidade da Petrobrás. Segundo ela, em alguns casos o expediente pode baratear o preço da gasolina para o consumidor para R$ 0,46 o litro. O preço de custo para as distribuidoras é de R$ 0,55, segundo dados do Sindicom.
‘‘A adulteração está se tornando um problema muito grave, um crime em larga escala’’, diz Henry Joseph, presidente da Comissão de Energia e Ambiente da Anfavea. Segundo ele, os problemas foram constatados de forma indiscriminada em carros de todas as montadoras. Os mais comuns são travamento ou detonação do motor, carbonização, elevação do nível de óleo, corrosão de componentes e impregnação das válvulas. ‘‘Já tivemos notícia de que estes problemas estão ocorrendo também em carros importados’’, diz Joseph.
A estatística da Anfavea que aponta danos em cerca de 5 mil veículos refere-se, segundo Joseph, somente a problemas de fraude de combustível em campo, mas não apenas à adição de solventes. Há ainda casos de uso de diesel na gasolina e água no álcool anidro. Todos os casos, porém, referem-se apenas a veículos com menos de um ano de uso, que têm direito a revisão de fábrica.

mockup