Um colecionador pouco convencional, um aficionado por antigomobilismo, um inventor. Difícil resumir o que define exatamente a figura do gerente comercial Luiz Renato Moreira Adur. Em seu acervo estão 11 veículos.
Entre hoodrides - carros que conservam as marcas deixadas do tempo -, hotrods - modelos alterados, mais potentes e com rodas estilosas -, motos e um triciclo que segue um desenho projetado pelo próprio dono, estão Fuscas, modelos 1963, 1966, 1972, uma caminhonete Chevrolet Brasil 1960, uma Brasília 1973 entre outras raridades.
Ao visitar a coleção de Adur é possível perceber, no entanto, que a fixação não para por aí. Um barracão serve de alojamento para parte dos veículos e foi especialmente estilizado para entrar no clima do antigomobilismo. No ambiente, é possível perceber cartazes relacionados às décadas de 1950 e 1960, como, por exemplo, uma referência aos Beatles.
Nas paredes, um deleite para qualquer mecânico. Diversas peças que ele garante utilizar nos automóveis conforme necessário. "Dá última vez que contei eram mais de 400 só aqui. Tenho muitas guardadas ainda e sempre que preciso de algo venho até a parede, pego e utilizo, depois é só substituir", diz.
Segundo ele, o espaço segue os padrões americanos e a ideia da decoração surgiu com a necessidade que Adur sentia de estar cada vez mais próximo ao antigomobilismo. "Colecionar é como se fosse um escape da rotina estressante do dia a dia e queria um local onde pudesse ver carro por onde olhasse, então criei isso aqui", justifica.
O barracão estilizado, porém, não é a única invenção do gerente comercial. Seguindo os padrões dos triciclos brasileiros criados no final da década de 1970, ele desenvolveu seu próprio modelo, conseguindo a documentação em 2006. Conforme ele, não se trata bem de um veículo antigo, nem de uma réplica, embora a mecanização seja toda da Variant 1.600, ano 1970. "Se levarmos em consideração quando a Variant foi produzida esse pode ser considerado também um veículo antigo", defende.
A escolha pela mecânica Volkswagen presente no triciclo - suspensão, câmbio e motorização - tem uma explicação. A vontade de Adur de colecionar nasceu da paixão pela montadora alemã, em 1987, quando ele tinha apenas 16 anos.
Na cor azul, com as rodas pintadas em laranja e os pedais feitos, literalmente, com ferraduras de cavalo, o veículo realmente difere dos triciclos convencionais. "Embora o triciclo em si seja algo antigo, esse é um modelo que eu mesmo desenvolvi e desenhei, além de acompanhar toda a montagem."
Com relação às "invenções" de Adur, chama a atenção ainda a motocicleta Bobber, na qual ele usou um pé de mesa para compor o câmbio. "Usei a mecânica das Bobbers convencionais, mas reestilizei e inverti as posições de algumas peças como as lanternas. Gosto de criar e ter o diferente."
A paixão transbordante do gerente promete se estender para toda a família. Os filhos Pedro, de 6 anos, e Lucas, 3, já têm seus automóveis garantidos. Além disso, Adur faz a customização de carrinhos para as crianças, estimulando-as a colecionar. "Tenho uma coleção com mais de 500 carrinhos e, para que eles não mexessem nos meus, comecei a comprar para eles. Também tenho um carro na coleção para cada um, só estou esperando eles crescerem", afirma.
E para quem acha que todos esses carros e diferente formas de usufruir do amor por veículos são suficiente, Adur avisa: a ideia é aumentar a coleção ainda mais em poucos anos.

mockup