Certamente o esportivo totalmente nacional de maior sucesso pelo mundo. Exportado para 55 países, o Puma e suas diferentes linhas é aclamado por muitos como uma peça rara.
Em Londrina, alguns colecionadores guardam essas relíquias muito bem guardadas na garagem. Entre eles, um aficionado chama a atenção pelo vasto conhecimento e grande quantidade de material relacionado à marca adquirido ao longo dos anos: o supervisor de Tecnologia da Informação Leandro Guilherme Pascholatti Gomes, dono de um Puma GTB 1978 vermelho.
Concorrente direto de automóveis como Maverick Gt e Dodge Charger, o modelo foi produzido pela Puma Veículos e Motores a partir de 1974. GTB é ainda sigla para Gran Turismo Brasil. "Ao que se tem conhecimento fabricaram apenas algo entre 713 e 720 carros desse. O meu é o 564", gaba-se. Para Gomes, a numeração presente no chassi do veículo aumenta ainda mais a importância e o glamour em torno da marca.
Gomes é o tipo de colecionador que mostra total domínio do assunto e apresenta um motivo justo para isso. Ele lembra que antes mesmo do GTB - comprado em 2001 - teve um outro Puma, um GTC modelo 87, mas algumas informações o intrigavam, "tinha certeza que meu carro era um Puma, mas ele apresentava uma numeração de chassi e fabricante diferentes do que eu sabia até então", lembra.
A saída, segundo ele, foi pesquisar. Para tanto, foram compradas revistas especializadas em automotores da época, em sebos e bancas, todas do começo de 1986 até o final de 1987. "Com isso, descobri que a Puma tinha falido em 1984 e que um empresário curitibano comprou a marca e retomou a produção durante um período", revela.
Já o GTB apareceu para o colecionador, pela primeira vez, em 1999, por meio da fundação do Puma Clube do Paraná. Até comprá-lo, foram dois anos de muita negociação.
Hoje ele desfila com o Puma pelas ruas e em encontros, até mesmo como uma forma de se desligar da rotina por alguns instantes. Manter o veículo, no entanto, não é fácil, apesar de ser totalmente nacional. A justificativa são as peças exclusivas. "A maioria das peças pertence a carros produzidos aqui e isso facilita, mas itens exclusivos são mais complicados de achar, até pelo número pequeno de automóveis produzidos", argumenta.
Ele conta, por exemplo, que a busca por algumas peças foi uma pequena saga. "O friso do vidro traseiro veio do Rio de Janeiro, o dianteiro de Campinas (SP), as grades cromadas encontrei na capital paulista. Vou pesquisando sempre para deixar o veículo o mais original possível", avisa.
Dentro de sua originalidade, o GTB apresenta uma mecânica semelhante à do Opala, com um motor seis cilindros em linha, 250s, com 171 cavalos, chegando a uma velocidade máxima de aproximadamente 180 quilômetros por hora. Esportivo clássico, tem lugar para apenas duas pessoas.
O colecionador alerta que todo o tempo dedicado ao automóvel o fez aprender alguns macetes, até para que o Puma funcionasse normalmente. Com um sistema de fechadura da brasília mas com miolo da maçaneta de um caminhão 608, o esportivo exige certo cuidado na montagem. "Embora sejam peças nacionais, elas foram utilizadas em carros diferentes e é preciso cuidado para que tudo possa funcionar normalmente", explica.
Hoje, com quase uma década e meia desde seu primeiro Puma, Gomes reconhece que seu sonho inicial sempre foi um Maverick, mas quando viu o GTB tudo mudou. E essa paixão deve perdurar por um longo tempo, tanto que o carro não está a venda. "Essa paixão é algo até difícil de explicar. Não venderia para um colecionador porque ele seria apenas mais um na coleção", afirma.
Atualmente, além de revistas, livros e catálogos, Gomes conta com um acervo de mais de 44 mil fotos de veículos Puma. Possui também uma página em uma rede de relacionamentos (www.facebook.com/clubedogtb) para trocar informações com outros apaixonados pela marca, além de participar de blogs e fóruns.

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