Arapongas - Não é exagero dizer que o Opala e suas linhas são um mito dentro do automobilismo brasileiro. O nome surgiu a partir da fusão de outros dois carros da General Motors, o Opel e o Empala. Todo o projeto começou a ser pensado em 1966, mas o carro só foi ganhar as ruas em 1968. Nascia ali uma dinastia que se perpetuaria por mais de 20 anos e, mesmo com o encerramento de sua produção, manteria vivo o amor de uma legião de admiradores.
Entre os veículos da linha um que chama a atenção é o Comodoro, que teve suas primeiras unidades lançadas por volta de 1975 com o intuito de substituir a Gran Luxo. Era tido como um carro de maior status, quase sempre composto de um motor 6 cilindros com 184 cv de potência, carburador duplo e quatro marchas, nas versões manual e automática. Atualmente, as linhas do Opala são facilmente encontradas, seja por adeptos filiados a clubes especializados na história do automóvel, ou colecionadores que simplesmente mantêm o veículo pelo prazer do antigomobilismo.
O gerente comercial de Arapongas Paulo Cestari é um desses apaixonados por veículos antigos que se orgulha de manter um Opala Comodoro, ano 1979, em sua garagem.
Visando mais conforto e potência, Cestari adianta que o carro passou por uma série de mudanças, sobretudo na parte mecânica. O motor, por exemplo, é o 4.1 do Chevrolet Omega, "um pouco mais econômico, mas que ainda consome bastante". O câmbio, cinco marchas, e diferencial também são Chevrolet, mas eram utilizados na C20. "A lataria e a parte interna tive o cuidado de manter igual à original. Respeitei as características do Opala, apenas procurei dar ainda mais imponência ao carro", defende o gerente comercial.
Segurança e estilo também não foram deixados de lado por Cestari. As rodas são aro 20 e possuem freios a disco. O Opala tornou-se, de fato, um carro de passeio, no entanto, o gerente reconhece que "ainda falta um ar condicionado". A possibilidade de um dia contar com essa "tecnologia" não está descartada.
Apesar de demonstrar um bom domínio das peças do automóvel, o antigomobilista afirma que só adquiriu o Opala há poucos meses, tempo suficiente para desenvolver um amor sem igual pelo automóvel. "Sempre gostei de Opala e quando pude comprei esse", revela ele, que antes do Comodoro 1979 já havia tido um Diplomata 1977.
A pergunta que fica é o que levou o colecionador a trocar de modelo dentro da linha Opala? Além de uma paixão natural pelo estilo da linha, a justificativa de Cestari é no mínimo inusitada e ele explica aos risos.
O sonho do gerente comercial era ter um Fusca, mas com 1,96 metro de altura ele declinou a ideia. "Eu não ficaria bem dentro de um Fusca com esse tamanho todo. Optei pelo Opala que possui muito espaço interno", conta, lembrando que comprou seu primeiro carro da marca há três anos, por influência de um amigo.
Caso existam interessados, ele já avisa que o Opala não está à venda e faz planos de ainda comprar um Maverick, com o intuito de iniciar uma coleção. Enquanto o próximo passo não é concretizado, Cestari desfila seu Comodoro em encontros de antigomobilismo e transporta noivas em casamentos. "O Opala faz muito sucesso nesses eventos", comemora.

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