Maringá - O hábito de colecionar objetos, muitas vezes, é uma atitude intrínseca ao ser humano. Conseguir qualquer coisa, mesmo que sem valor para a maioria das pessoas, pode ser considerado uma grande conquista para os colecionadores. Esse é o caso do empresário Marcos Flausino Dias, de Maringá (Região Noroeste), - fã do antigomobilismo - que estendeu sua coleção de veículos, a bicicletas, panelas e chuveiros ou, como ele mesmo afirma, para ''tudo o que for velho''.
A vontade de se tornar um colecionador também é antiga. Vem dos tempos em que seu pai tinha um carro velho para percorrer as estradas de terra. ''Tínhamos um pé de bode (Ford 29) e a gente veio desse negócio de infância'', comenta Dias. Dessa forma, o seu primeiro carro foi justamente o que o marcou quando criança - um Ford 29 - e que mantém há 18 anos. Até conseguir as chaves do veículo, lembra, foi uma luta de quase três anos.
''Esse carro era de um caminhoneiro e eu ia todos os dias à casa dele, falava para que ele não o vendesse sem antes falar comigo. Até que o dia chegou'', lembra o empresário. No entanto, o desafio não acabou aí. Quando, finalmente, o carro foi colocado à venda ele não tinha dinheiro para comprar o ''pé de bode'', mas deu o seu jeito. ''Dei uma moto, mais a metade do valor de outra motocicleta no veículo e fiquei dois anos indo de ônibus para o trabalho com o carro parado na garagem até ter dinheiro para bancar a reforma'', diz.
Apesar do esforço, o ''pé de bode'' não é o veículo que mais chama atenção na coleção do empresário. ''Entre os meus carros, há uma jardineira que desperta muito o interesse das pessoas'', afirma Dias. Ele tem nove carros que ficam guardados em um barracão de cerca de 900 metros quadrados, juntamente com outros itens da coleção. A jardineira foi um dos primeiros meios de transporte coletivo no Norte do Paraná. Aos poucos esses veículos foram sendo substituídos por outros mais modernos, até chegar aos ônibus atuais.
Mas esse saudosismo que a jardineira é capaz de causar nas pessoas mais velhas, gera também muitas histórias, o que fez de Dias um excelente ouvinte. ''Nesse tempo todo já me contaram muitas coisas, mas a mais marcante foi a de um senhor que dirigia um carro desses e começou a namorar uma passageira que ele até se casou'', relembra.
A coleção do empresário, tem crescido cada vez mais e ficado cada vez mais variada. Tanto que ele se tornou uma referência entre as pessoas que querem se desfazer de objetos antigos. ''Hoje as pessoas me procuram para vender antiguidades. Até meus filhos, quando vêem alguma coisa nas ruas, me procuram para dizer para dar uma olhada'', diz.
As bicicletas são outra paixão. ''Tenho hoje 150 bicicletas. As pessoas quando vêem o que eu tenho ficam emocionadas e com os carros e bicicletas eu faço amigos'', conta. A coleção é composta por artigos fabricados entre 1935 e 1990. E o próximo caminho a percorrer também já está definido. Ele pretende criar um lugar especial para expôr todas as ''velharias'' que foi comprando ao longo dos anos para que todos possam desfrutar do mesmo prazer que tem ao admirar esses objetos. ''Em cinco anos pretendo montar um museu aberto à visitação do público'', comenta.
E para quem tiver coisas antigas, ele avisa que sua obsessão continua, então pode procurar por ele. ''Estou sempre disposto a dar uma olhada e se surgir a oportunidade. Às vezes as coisas não precisam nem ser restauradas, já estão em bom estado, então a gente compra'', avisa.

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