Não só de homens vive o mundo da restauração de carros antigos. O universo das máquinas e relíquias também interessa ao sexo feminino, que se esmeram nos cuidados com os veículos. Nesse último fim de semana, por exemplo, ao percorrer a praça Frei Timóteo, na cidade de Jataizinho (21 km a leste de Londrina), também foi possível encontrar mulheres exibindo as suas relíquias no Encontro de Carros e Motos Antigos de Jataizinho.
Delurdes, por exemplo, tem a paixão por carros registrada mesmo na sua certidão de nascimento. Seu sobrenome é Schumacher. Ela é uma das duas únicas mulheres do Clube de Colecionadores de Automóveis Antigos, o Catarauto, de Foz do Iguaçu (Região Extremo-Oeste).
Junto ao marido, ela trouxe ao encontro um Ford F3 e uma BMW Izetta, este último um motivo de orgulho. ''Ninguém acreditava que ele ia chegar aqui, só eu e o mecânico'', conta. A BMW Izetta de 52 anos veio rodando de Foz do Iguaçu até Jataizinho para o evento, totalizando um trajeto de cerca de 460 quilômetros. ''Entre mortos e feridos, ele chegou rodando.''
Logo na saída de Foz do Iguaçu, a Izetta de Delurdes teve um problema na caixa, e precisou ficar parada das 10 às 16 horas. Depois, foram mais duas paradas por problemas elétricos e no carburador. ''Rodávamos 30 ou 40 quilômetors e dávamos uma encostada para verificar se estava tudo bem'', comenta.
A uma velocidade média de apenas 70 km/h e de 30 km/h nas subidas, ela e o marido dormiram na estrada durante as noites e chegaram ao local do evento dois dias depois. Definitivamente, a Izetta não é um carro apropriado para pegar as estrada atuais.
Delurdes começou a se interessar por restauração de carros observando seu marido, que também participa do clube. Ele comprou essa BMW em São Paulo, de uma pessoa que havia adquirido a Izetta para ir à faculdade. Depois que se formou e casou, ele deixou o minicarro guardado por 22 anos. ''Quando compramos, era só uma lata.'' Quando começou a demonstrar interesse em ajudar a restaurar carros, Delurdes ganhou a Izetta do marido. ''Como é um carro pequeno e meio gordinho, ele disse: 'é tua''', lembra.
Foram dois anos de restauração e de procura por um mecânico que tivesse familiaridade com as peças de um modelo que já foi usado por Juscelino Kubitschek e Elvis Presley. ''Mas sempre sobram detalhes. Tudo o que se faz em um carro dessa idade tem que fazer de novo'', avalia Delurdes.
A maioria das peças foi fabricadas por um torneiro, outras compradas no exterior. Mas toda a mão de obra ela conseguiu que fosse feita em Foz do Iguaçu. No final, o saldo foi de mais de R$ 50 mil gastos na restauração. ''Praticamente fabricamos o carro do zero.'' Mas o resultado foi gratificante: uma BMW Izetta toda original - com a exceção das peças de torno, mas que são idênticas às originais.

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