Clientes em dólar devem R$ 240 milhões para Ford
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domingo, 17 de janeiro de 1999
Agência Estado 
A dívida de consumidores que financiaram carro com correção cambial no Banco Ford soma R$ 240 milhões. Desse total, R$ 40 milhões representam a desvalorização de 20% dos últimos três dias. Esse dinheiro deverá ser quitado em mais ou menos um ano e meio. E o endividamento de cada uma das 40 mil pessoas com contratos em dólar neste banco cresceu de R$ 5 mil para R$ 6 mil, em média. A boa notícia é que as instituições já estudam formas de amenizar o prejuízo de quem apostou no financiamento com moeda estrangeira.
Muitos clientes já ligaram para o Banco Ford na tentativa de trocar contratos em dólares por reais. Isso é impossível, afirma o gerente nacional de operações de campo do Banco Ford, Sérgio Silvestre Freitas. Segundo ele, não há como alterar uma captação feita em moeda estrangeira. Mas ele afirmou que este banco e os demais deverão estudar meios de compensar o prejuízo dos clientes.
Os demais bancos de montadoras não quiseram se pronunciar. Mas é fácil perceber a dimensão do endividamento com carros, levando em conta que a carteira de todos os bancos de montadoras soma perto de 1 milhão de contas. A Ford, com 250 mil, tem 40 mil endividados com a moeda estrangeira.
A tendência, a partir da desvalorização cambial, segundo Silvestre, é o desaparecimento dos contratos de longo prazo. Os planos de 36 e até de 24 meses deverão desaparecer devido à indisponibilidade de dinheiro no mercado. Para ele, os planos de 18 meses deverão ser os mais adequados à nova realidade.
Isso significa que o mercado de financiamento de carros e consequentemente, as vendas do setor, tendem a encolher mais. As vendas financiadas vinham representando entre 40% e 50% do total. Para Silvestre, os consórcios, com participação em torno de 10%, devem começar a atrair mais consumidores. O Banco Ford aumentou as taxas de juros e o percentual de entrada exigida.
Para planos de seis, 12, 18 e 24 meses, a taxa de juros subiu de 3,19% para 3,80%. A entrada mínima passa de 20% para 30% do valor. Para planos de 36 meses, os juros subiram de 3,25% para 3,90% e, nesse caso, o cliente é obrigado a dar 50% de entrada.


