Jataizinho - Desfilar a exuberância de um clássico é realidade para o fotógrafo Valdomiro Augusto da Silva, o Miro, morador de Cambé. O motivo se apresenta nas curvas de um design muito bem projetado e atende pelo nome de Ford Custom Line. Especificamente, o modelo apresentado por ele durante o encontro de carros antigos realizado em Jataizinho em maio, tem fabricação em 1953 e cor preta.
Colecionador de vários itens antigos desde a infância, ele explica que o automóvel é mais uma de suas paixões. "Sou apaixonado por antiguidade desde sempre, tenho vários objetos", diz.
Ele adianta que além do Ford Custom, sua coleção já teve um Itamaraty ano 1967 e atualmente ainda conserva um Vanguard Inglês, com fabricação de 1951, uma F-75, de 1962, e um Alfa Romeo 1976 em processo de restauração.
O fotógrafo afirma que manter esse hobby não é nada barato. Por isso, restaura seus carros com o máximo de cuidado possível, o que demanda tempo até ter o veículo em funcionamento. O Custom, no entanto, está exatamente como Miro planejava e a conservação, principalmente dos detalhes, enche o veículo de charme. "Os frisos e as lanternas são as peças que mais enriquecem o veículo e esses eu faço questão de manter bem conservados", aponta.
Miro comenta ainda que um outro diferencial dos seu veículo está no fato de ser quatro portas, já que a maioria dos Ford Custom daquela época eram feitos com apenas duas. Como característico da época, o automóvel exibe ainda muito espaço e uma largura considerável, quesitos que faziam diferença nos anos 1950, com os famosos rabo de peixe em alta.
Para quem curte o antigomobilismo, a mecânica também chama a atenção, afinal como não se encantar com o câmbio três marchas ainda na coluna e principalmente o motor V8, um delírio para os ouvidos de quem gosta de carros – novos ou antigos.
Se o automóvel reúne design de bom gosto, motor potente e seu proprietário trabalha com fotografia, por que não unir o útil agradável? Foi exatamente o que Miro fez. Hoje, ele fotografa casamentos e trasporta noivas na região de Cambé. "Por ser de época e bonito assim, a procura acaba aumentando. Se eu pudesse, tinha mais carros assim", garante.
Ele afirma que o carro conserva o máximo de sua originalidade, com exceção da parte elétrica, que passou dos originais 6 volts para 12 volts, justamente para aguentar a jornada de trabalho. "Seis volts queima muito rápido e encontrar lâmpadas e outras peças acaba sendo muito complicado", acrescenta.
Essa pequena alteração confere ao carro, segundo o proprietário, cerca de 85% de originalidade, o que garantiria ao automóvel placas pretas. Mas esse não é o objetivo do fotógrafo. "Não penso em fazer parte de um clube e isso seria necessário para a placa, mas pretendo seguir zelando pela originalidade do Ford", justifica.
Organizador de encontros entre antigomobilistas na cidade de Cambé, o fotógrafo faz uma revelação curiosa. Embora tenha um Ford Custom e outros automóveis que enchem os olhos de diversos apaixonados, ainda não conseguiu realizar o seu maior sonho, restaurar um Impala. "Esse é meu sonho de consumo, mas ainda não tive essa oportunidade."

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