Clássico dos anos 1950 é xodó de família há 40 anos
PUBLICAÇÃO
domingo, 02 de dezembro de 2012
Vinícius Fonseca <br> Reportagem Local
Imponente, luxuoso, clássico. Não são poucos os adjetivos para definir os carros originados pela linha Bel Air da Chevrolet, que embora tenha começado no final dos anos 40, ganhou espaço no mercado na década seguinte. É um desses modelos que o comerciante Sérgio Salgado tem preservado como uma herança de família.
Ano 1951 e na cor bege, mas com a capota preta, o automóvel já faz parte da vida do londrinense há cerca de quatro décadas, quando seu pai, já falecido, o comprou de uma professora na cidade de Garça (SP). ''Meu pai era aficionado por carro antigo e esse foi o primeiro automóvel que ele compou para a coleção que gostaria de ter'', conta ele.
O proprietário faz questão de enfatizar que zela pela originalidade do automóvel. O motor, um seis cilindros, e o câmbio três marchas na coluna são os mesmos que saíam de fábrica para o Bel Air. Para conseguir tal feito, Salgado explica que sempre que viaja aos Estados Unidos acaba comprando peças.
Os freios continuam sendo a tambor, porém, ele confessa que precisou fazer algumas adaptações no cilindro mestre por não ter conseguido corrigir os problemas apresentados pelo original. ''Não é original, mas está muito próximo disso'', afirma.
Munido de bancos inteiriços de couro e um espaço interno de causar inveja, o veículo não é nada compacto e reflete bem a opulência, marca registrada dos carrões dos anos dourados. Segundo Salgado, pelo menos sete passageiros podem ser transportados tranquilamente no Bel Air.
A grandiosidade do modelo, no entanto, não está apenas ligada ao conforto dos ocupantes do carro, mas também se vê presente no porta-malas. ''É tudo muito espaçoso e confortável'', garante o comerciante.
Mesmo com mais de 60 anos desfilando seu charme por aí, o Bel Air parece não sair de moda e conquista cada vez mais fãs. Seu proprietário, por exemplo, reconhece que por onde passa, o carro chama a atenção e desperta olhares curiosos.
Vale ressaltar que até mesmo para dar a partida o automóvel tem um charme. Depois de colocar a chave na ignição, levanta-se uma pequena alavanca e aperta-se um botão, que remete muito aos sistemas utilizados pelos modernos veículos de hoje. ''Mesmo existindo carros mais tecnológicos nada substitui o prazer de dirigir um automóvel desses'', aponta Salgado.
Hoje, mais que um carro na garagem, o automóvel é parte da história de Salgado. ''Hoje ele é como parte da família. Costumo sair para dar volta com os meus filhos, assim como meu pai fazia comigo. Aprendi a dirigir nesse carro'', lembra, emocionado.
Salgado sabe que muitos colecionadores têm interesse em, um dia, possuir o Bel Air, mas adianta que, no momento, não está nos planos dele a venda do veículo, que recebe cuidados diferenciados, até mesmo de Marilza, mãe do comerciante. ''Ela estava junto do meu pai quando o Bel Air foi comprado. Lá em casa todos amamos ele.''