Citroen vai desenvolver automóveis no Brasil
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sábado, 24 de junho de 2006
Cleide Silva<br> Agência Estado 
São Paulo - A partir de 2007, a Citroen vai lançar no Brasil um carro novo por ano até 2010. Os produtos serão desenvolvidos por engenheiros do grupo no País, em conjunto com profissionais da matriz na França. Alguns dos quatro modelos previstos serão exclusivos para países da América Latina, sem similar na Europa. Hoje, os dois automóveis da marca fabricados localmente, o Xsara Picasso e o C3, foram projetados na França.
A produção dos novos veículos será dividida entre as fábricas de Porto Real (RJ) e da Argentina. A empresa vai investir US$ 400 milhões no Mercosul para os lançamentos. Segundo o presidente da Citroen do Brasil, Sérgio Habib, o primeiro lançamento dessa leva, em 2007, é um carro de médio porte que será fabricado na Argentina na mesma plataforma do Peugeot 307. A duas marcas têm fábrica conjunta em ambos países.
Para os três anos seguintes, ele adianta apenas que serão veículos de segmentos em que a empresa ainda não atua no País. A meta da Citroen é saltar de 40 mil veículos vendidos no Brasil, conforme projeção para este ano, para 100 mil em 2010, quando as novidades já estarão disponíveis.
Habib, que iniciou parceria com o grupo francês PSA Peugeot Citroen como importador, se prepara para o primeiro lucro da marca no País desde o início da produção local, em 2001, com a inauguração da fábrica no Rio de Janeiro. ''Pela primeira vez vamos ganhar dinheiro no Brasil'', diz.
O presidente mundial da PSA, Jean-Martin Folz, já havia adiantado, em entrevista ao programa Roda Viva, que será exibido pela TV Cultura, que 2006 será o primeiro ano de lucratividade do grupo no Brasil.
Peugeot e Citroen estão entre as marcas que mais crescem no mercado brasileiro. Em maio, a Citroen registrou seu melhor mês em vendas, com 3.486 unidades. Nos cinco meses deste ano, acumula aumento de 60% nos negócios ante igual período de 2005, com vendas de 14 mil carros. O mercado total teve crescimento de 10%, para 676,9 mil veículos. A coligada Peugeot cresceu 27%.
Mais da metade das vendas de carros no Brasil são de modelos populares, na faixa de R$ 25 mil. A Citroen não atua nesse segmento. Seus modelos custam a partir de R$ 38 mil. Nessa faixa, a marca detém 6% do mercado. Incluindo as demais, tem 2,1%. Em 2004, as vendas da Citroen somaram 22 mil unidades e a participação no mercado era de 1,3%. No ano passado, foi a 1,7%, com 27 mil unidades.
Habib credita parte do desempenho ao compacto premium C3, lançado há um ano. O modelo vende em média 2 mil unidades mensais. A versão esportiva XTR, lançada semana passada a partir de R$ 48,9 mil, já tem 100 encomendas.
Enquanto outras montadoras reclamam do real valorizado frente ao dólar, Habib diz que a Citroën se beneficia da política cambial. ''Nossos custos de importação diminuíram'', explica. A montadora importa cerca de 35% das peças usadas na produção do Picasso e do C3.
Habib diz que a marca não tem política agressiva de promoções. Os descontos oferecidos pelas lojas não passam de 5% a 7% do valor sugerido na tabela, e o juro cobrado no financiamento ''é o de mercado.'' Montadoras com maior volume de produção são mais agressivas em ações promocionais.


