Rio de Janeiro - Um aventureiro requintado. É mais ou menos assim que se pode definir a nova aposta da Citroen para ganhar território no mercado automotivo nacional. A montadora francesa uniu sua tradicional imagem de sofisticação à nova onda do setor no Brasil - a do off-road - e lançou o Aircross, o seu utilitário esportivo compacto (SUV).
O veículo foi projetado para atender o mercado latino-americano. É com ele que a Citroen pretende elevar seus 2,5% atuais de participação para algo em torno de 3,5%, com a meta de 2 mil unidades do Aircross vendidas por mês. O C3 Aircross é produzido na planta da PSA Peugeot Citroen em Porto Real-RJ.
O crossover segue a tendência dos concorrentes com um visual jipeiro leve. Derivado do C3 Picasso, que ainda nem chegou ao Brasil, ele tem 8 centrímetros a mais de entre-eixos em relação ao C3 hatch e está disponível em três versões - GL, GLX e Exclusive - com garantia de três anos.
Na parte frontal, o destaque fica por conta do para-brisa panorâmico em três partes, permitindo uma visão periférica bem ampla, como no C4 Picasso. Uma espécie de moldura escura localizada nas caixas de roda e o estribo lateral prateado dão ar off-road. O estepe pendurado na porta traseira reforça o ar aventureiro. A Pirelli desenvolveu os pneus Scorpion 205/60 R16 de uso misto especialmente para o modelo.
O Aircross chega ao mercado com sete opções de cores de carroceria. O motor 1.6 16V Flex com quatro cilindros oferece 113 cv de potência a 5.800 rpm com álcool e 110 cv a 5.800 rpm com gasolina. Uma das maiores virtudes desse motor é o torque, 155 Nm a 4.500 rpm com álcool e 142 Nm a 4.000 rpm com gasolina, qualidade que proporciona melhor resposta ao acelerador. O porta-malas acomoda 403 litros.
O carro teve sua altura em relação ao solo elevada em 3,6 cm no eixo dianteiro e 4,1 cm no eixo traseiro, em relação ao C3 Picasso, o que assegura um vão livre em relação ao solo de 23 cm na frente e 24 cm na traseira. O preço de lançamento do carro é competitivo, entre R$ 53.900 mil e R$ 65 mil.
A versão inicial, a GL, sai apenas com ar-condicionado, direção elétrica, vidros dianteiros elétricos, travamento automático das portas, computador de bordo, porta-luvas refrigerado e chave tipo canivete com keyless. A intermediária GLX oferece além dos itens da GL, faróis de neblina, vidros traseiros elétricos, ajuste de altura do banco do motorista, rádio/CD/MP3, bússola e inclinômetro digitais e rodas de liga leve diamantadas. A Exclusive, que é a top de linha, é a mais completa. Conta com air bag duplo, ABS, alarme, controle de cruzeiro, ar automático, mesinhas tipo avião, rádio com bluetooth e entrada USB, bancos de couro, entre outros. Nos opcionais estão air bags laterais e sensores de estacionamento, luminosidade e de chuva, além do navegador GPS.
A FOLHA testou a versão Exclusive do Aircross num percurso de aproximadamente 60 quilômetros, entre o Rio de Janeiro e Niterói, com misto de rodovia com trechos urbanos. Ao volante, o veículo não decepciona. A posição de dirigir é muito confortável e o para-brisas partido em três deixa uma visão privilegiada ao motorista. Já na parte traseira, o vidro um tanto pequeno dificulta a visão.
O desempenho é bastante satisfatório. O motor responde ao chamado do pedal do acelerador sem titubear. A Citroen encurtou em média em 15% a transmissão das marchas, o que torna o câmbio muito bem escalonado, garantindo boas acelerações. nas retomadas nem tanto.
Para quem anda atrás, o espaço é bom e confortável. O isolamento de ruídos também funciona bem. A suspensão dá conta de segurar a onda na hora em que passa pelos buracos, cada vez mais frequentes e maiores pelas ruas. Já no banco do passageiro, o espaço para as pernas deixa a desejar, principalmente se ele quiser abrir o porta-luvas, que é bem amplo, com porta copos.
* O jornalista viajou a convite da Citroen

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