Sociedade e au toridades de trânsito come çam a se preocu par com a possi bilidade de uma crise viária em Londrina. E a preocupação tem lá sua justificativa. Nada menos do que cerca de 90 mil veículos circulam diariamente pelas ruas, provocando uma média de 15 acidentes por dia, com uma morte a cada seis dias. Em dias de chuva, há um aumento médio de 15% no volume de carro e de 20% nos acidentes.
''São 300 novos veículos em média, todos os meses nas ruas'', aponta o assessor técnico do setor de estatística da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Cesar Anderaus Cassis. O número faz parte de um levantamento mensal feito pelo setor em conjunto com a Companhia de Trânsito de Londrina (Ciatran). São veículos diversos, entre automóveis, motos, caminhões, novos, transferidos, que recebem uma nova documentação de trânsito e que preenchem a cada dia um espaço a mais nas ruas.
Segundo os dados da CMTU, a frota total registrada na cidade até outubro soma 163.215 veículos. Porém, Cassis alerta que o número pode ser maior devido a existência de muitos veículos irregulares. ''São automóveis de placa amarela que ainda não foram regularizados para a placa branca. Estima-se que existam aproximadamente 10 mil veículos nessas condições'', diz o técnico.
Na comparação da frota com o total de habitantes, há em Londrina um carro para cada 2,69 pessoas. Curitiba, por exemplo onde habitam mais de 1,6 milhões de pessoas, conta com um carro para cada 2,29 habitantes. Foz do Iguaçu, com população de 295 mil pessoas, oferece um carro para cada 4,30 habitantes.
Outros números coletados pela CMTU também mostram a crueldade existente no trânsito londrinense. Dos 4.485 acidentes ocorridos entre janeiro a outubro deste ano, houve um saldo 1.975 feridos. Destes, 50 resultaram em vítimas fatais, sendo que 30 ocorreram no local do acidente e outras 20 nos hospitais ou a caminho deles. Motociclistas e pedestres são as maiores vítimas. ''Não podemos esquecer dos acidentes onde a Ciatran não é acionada, e que por isso não são registrados nas estatísticas'', explica Cassis.
Entre os principais motivos relacionados nos acidentes, estão a falta de atenção do condutor (justificativa dada para 1.144 acidentes) e a não manutenção da distância mínima entre um veículo e outro (também relacionada a outros 1.144 acidentes). Avanço de preferencial (869 acidentes), perda do controle do veículo devido ao excesso de velocidade (546 acidentes), avanço de semáforo (319 acidentes) e trafegar na contramão (128 acidentes), são os outros prováveis motivos.
O levantamento da CMTU e do Ciatran relaciona inclusive os cruzamentos viários onde ocorrem os maiores números de acidentes. São eles, pela ordem, Dez de Dezembro x Theodoro Victorelli (34 acidentes); Higienópolis x JK (21); Tiradentes x Rebouças (17); Dez de Dezembro x Brasília (15); Duque de Caxias x Brasília (14); e Leste-Oeste x Rio Branco (14).
Os dados apontam que os homens são que os mais se envolvem em acidentes - 6.253 contra 1.771 mulheres - de janeiro a agosto de 2001. Dos 8.024 condutores envolvidos no período, representando faixas etárias que abrangem motoristas de 18 anos a 70 anos, o mais alto índice de acidentes ocorre entre os 25 e 34 anos, com 2.151 registros. Os menores foram responsáveis por 111 acidentes de trânsito em 2000. Este ano, a CMTU contabilizava em 58 o número de menores que conduziam veículos envolvidos nos acidentes.

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