O fato de pelo menos meia dúzia de montadoras terem decidido se instalar no Brasil em 96 mostra bem que o mercado do Cone Sul é atraente e promissor. Mas, caso as promessas de crescimento não se realizem, estas empresas sabem que as chances de alguma delas ter de cair fora são grandes. A Chrysler, que tem na memória a saída do País na década de 80, quer evitar esta espécie de rebaixamento na competição. Por isso, tenta abocanhar uma fatia do mercado usando as melhores armas disponíveis. O lançamento do Stratus Autostick, no Brasil, faz parte desta estratégia.
O Stratus é um carro espaçoso, confortável e recheado de itens tecnológicos. Mas além do pacote eletrônico tradicional - que inclui air bag duplo, ABS nos freios, ajuste elétrico dos bancos, cruiser control, trio elétrico, retrovisores com sensores eletrônicos e até trava automática das portas com sensor de velocidade -, o carro da montadora americana traz como maior novidade o câmbio sequencial Autostick.
O câmbio é capaz de proporcionar ao motorista uma condução semelhante à oferecida por um câmbio mecânico e dispensar ao mesmo tempo o pé esquerdo de qualquer trabalho - não há pedal de embreagem. Equipamentos semelhantes são encontráveis, com nomes diferentes, em carros da Porsche, Audi ou BMW.
Todos estes modelos, em geral tops de linha das marcas, custam no Brasil mais de US$ 100 mil. Já o Stratus sedã vai custar US$ 43 mil. O modelo conversível, que além de todos os itens do sedã tem capota elétrica e computador de bordo, sai por US$ 55 mil.
No preço e nos 4,76 m de comprimento do sedã de luxo da Chrysler ainda cabem itens como rodas de liga leve, faróis de neblina, acabamento em couro, ar, direção e rádio/toca-fitas. O petardo criado pela combinação preço/tecnologia da Chrysler tem endereço certo: a GM. Por isso, a montadora coloca no mercado um carro com tamanho do Omega, preço do Vectra CD, mas com equipamentos mais modernos.
A melhor equipagem do Stratus se estende ainda ao motor V6 de 2.5 litros, capaz de gerar a potência de 163 cv a 5.850 giros e o torque de 22,2 kgfm a 4.400 rpm. O tamanho, volume e características deste propulsor são pouco peculiares em um modelo americano.
Em geral, os motores americanos têm relação volume/potência pior. Caso do 4.1 litros do Omega, que gera apenas 168 cv. Para tornar seu sedã mais moderno, a Chrysler usa, mesmo nos Estados Unidos, este V6 desenvolvido pela Mitsubishi, com quem tem acordo - em contrapartida, a empresa americana cede câmbios à japonesa.
O desempenho mostra bem o resultado desta mistura. O 2.5 V6 leva os 1.435 kg do sedã a 210 km/h e os acelera da imobilidade aos 100 km/h em 10,5 s. Pela potência fornecida, poderia-se esperar números melhores, principalmente na aceleração. Isso só não ocorre pela relação de marchas, muito longa, e pelo ponto de torque máximo, localizado numa rotação extremamente alta.
A questão do torque é o mesmo velho problema de motores multiválvulas, que sempre têm pouca disposição em baixos giros. Já no caso da relação de marchas longa, a lógica é simples: este câmbio Autostick é uma adaptação do antigo câmbio TE-41, lançado em 1989, que equipava o próprio Stratus.
A configuração deste câmbio permitiu que a Chrysler o transformasse em sequêncial com uma simples mudança no chip do gerenciador central da caixa. Ou seja, tem um recurso moderno, mas é um câmbio antigo, com apenas três marchas mais uma de overdrive - os atuais câmbios automáticos já têm cinco marchas.

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