Chrysler aprova fusão com Daimler
Os acionistas da Chrysler Corp aprovaram a fusão de US$ 39,6 bilhões da terceira maior montadora norte-americana com a alemã Daimler-Benz. A ampla maioria dos acionistas, 97,5%, votou em favor da fusão, enquanto alguns representantes dos 2,5% contrários ao acordo lamentaram a perda de um ícone norte-americano, criticaram a atuação da Daimler na Segunda Guerra e manifestaram preocupação com os direitos dos acionistas.
Os acionistas da Daimler estavam ainda votando o acordo, que o chairman da Chrysler, Robert J. Eaton, chamou de fusão de iguais, em assembléia simultânea em Stuttgart, Alemanha. É uma combinação de duas das mais bem sucedidas fabricantes de veículos do mundo para impulsionar nossa força individual e conjunta e criar talvez a primeira companhia verdadeiramente multinacional, disse Eaton aos acionistas antes da votação.
A orgulhosa herança da Chrysler não será perdida, nem a da Daimler-Benz, afirmou. Apesar da aprovação amplamente majoritária, vários acionistas se manifestaram contrários à fusão durante a assembléia no Hotel DuPont em Wilmington, Delaware (EUA).
Evelyn Davis, de Washington DC, sobrevivente do holocausto de origem holandesa e descendente de judeus, citou seu trabalho como escrava, aos 15 anos, em uma fábrica da Daimler durante a Segunda Guerra. Eu era apenas uma criança e estamos agora nos unindo a estas pessoas. Você está nos vendendo para criminosos de guerra, disse a Eaton. Lillian Auspitz, de Nova Jersey, afirmou que os nazistas mataram vários de seus parentes e acrescentou que a Chrysler vai perder muitos clientes judeus.
Eaton reconheceu as terríveis atrocidades da guerra, mas afirmou que a nova geração que está envolvida agora não é aquela geração. Esta é uma pequena coisa que garante que aqueles acontecimentos não se repetirão.
Os acionistas também manifestaram seu descontentamento com o que vêem como uma perda de direitos quando a Chrysler e a Daimler se tornarem uma nova companhia com sede na Alemanha. Citando os generosos pacotes de compensação para Eaton e outros executivos da Chrysler, eles questionaram quais seriam os ganhos financeiros para os acionistas.
Auspitz, por exemplo, disse que está perdendo ações porque os investidores da Chrysler vão receber apenas 0,6235 ação da nova empresa, DaimlerChrysler, para cada ação da Chrysler. Apesar das garantias de Eaton em contrário - ele afirmou que os norte-americanos terão 44% das ações, mais do que os cidadãos de qualquer outro país - alguns acionistas caracterizaram a fusão como a perda do controle da Chrysler.
Entre os pontos questionados está um lei alemã que exige que os acionistas tenham 200 mil ações para incluir uma resolução na agenda de uma assembléia. Eaton respondeu que qualquer acionista pode apresentar uma contra-resolução.
Se somos iguais, não deveríamos abrir mão de nada, disse Jennie Moy. Outro acionista peguntou como os investidores da Chrysler vão participar, já que perderam o direito de votar por procuração nas assembléias na Alemanha. Eaton disse que os acionistas podem ser representados pelo Bank of New York.
Os investidores também manifestaram temores de que a fusão possa trazer a crise global para mais perto dos EUA. Não vejo razão para que as minhas ações caiam porque um banco alemão investiu na Rússia, disse Moy.France PresseOs diretores da Daimler-Benz, Juergen Schremp e Hilmar Kopper, durante a conferência de fusão das marcasDas agências





