CHOQUE: saiba como evitar esse incômodo no frio
PUBLICAÇÃO
sábado, 20 de maio de 2006
Mauricio Della Barba 
É só chegar o inverno para que os motoristas sejam surpreendidos por pequenos - e incômodos - choques ao sair do carro. Tal efeito acontece em virtude da eletricidade estática presente no veículo. Após muito tempo em atrito com o ar, o caro acumula carga elétrica (o atrito arranca elétrons - cargas negativas - do metal do veículo, que fica assim com prótons - as cargas positivas - a mais), e o motorista acaba fazendo a ligação entre as partes metálicas e o solo, ao colocar os pés no chão.
Sentimos o choque porque o escoamento da energia acumulada acontece em um curto espaço de tempo. O choque elétrico, neste caso, é de baixa intensidade. O desconforto aparenta ser maior por que, em geral, estamos desprevenidos quando tomamos o choque. Digamos que o susto é maior do que a dor.
Aliás, é por essa razão que os caminhões-tanque possuem correntes que arrastam pelo chão: elas servem para descarregar a eletricidade estática do veículo, evitando eventual explosão do combustível transportado. Nas corridas de Fórmula 1, por exemplo, os boxes das equipes têm o chão revestido de chapas flexíveis de cobre, que retiram as cargas positivas da lataria dos carros de corrida, restabelecendo o equilíbrio elétrico, como se fosse um fio-terra. Assim, o reabastecimento dos veículos pode ser feito em segurança.
O clima seco, característica típica do inverno, também é um componente ideal para que você sofra um choque ao fechar a porta do seu carro. A baixa umidade do ar tem grande capacidade de condução de eletricidade, tirando a carga dos objetos (como a lataria do carro), ou seja, não permitindo que eles acumulem eletricidade em excesso. Por outro lado, quando estamos dentro de um automóvel em movimento, nosso corpo carrega-se eletricamente devido ao seu atrito com o tecido do banco (sobretudo quando estamos com roupas de lã).
Existem algumas medidas que podem evitar, ou pelo menos amenizar a ocorrência desses incômodos choques. Uma delas é colocando firmemente a mão em alguma parte interna metálica do veículo antes de sair (isso fará com que o excesso de carga acumulada escoe). Não aproximar partes nuas do corpo, como por exemplo as mãos, das quinas externas do automóvel (as bordas e pontas possuem maior densidade de cargas) e utilizar roupas de algodão (esse tipo de tecido pode diminuir a intensidade da descarga) também podem funcionar para que os choques sejam evitados. Blusas de lã se eletrizam facilmente por atrito.
Nos últimos anos, os fabricantes de bancos de automóveis desenvolveram tecidos com resinas que reduzem o efeito da energia estática, fazendo com que os choques não sejam tão intensos como nos carros mais velhos. Mas evitar completamente esses pequenos choques é um desafio que os fabricantes de carros ainda não conseguiram vencer.
Uma dica para você que vive tomando choque na porta do seu carro é colocar uma toalha no assento do veículo, assim, você diminuirá bastante a eletrização, por evitar o atrito entre o tecido da sua blusa e o tecido do banco do carro.
Outra forma, um pouco mais difícil, é instalar um pequeno fio descascado embaixo do carro de maneira que ele arraste no chão. Isso irá descarregar a eletricidade estática do carro.


