O Conselho Nacional de Trânsito (Contran) deve aprovar uma resolução obrigando as montadoras a instalar microchips nos veículos fabricados no País a partir de agosto.
Automóveis e caminhões usados poderão receber o dispositivo a critério do proprietário. O equipamento vai facilitar a fiscalização do pagamento de multas e das taxas de licenciamento. Ele também ajudará a polícia a identificar carros roubados.
O projeto foi apresentado na última semana pelo ministro da Justiça, Miguel Reale Júnior, e pelo diretor do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), Jorge Guilherme Francisconni, a representantes de montadoras, indústrias de autopeças, transportadoras e empresas de seguro. A resolução tornando obrigatório o microchip deverá ser aprovada em 45 dias.
Os dispositivos vão ter o número do chassi, a cor e o modelo do veículo registrados em um sistema de criptografia. Os microchips serão conectados a uma central de dados, o que permitirá, em caso de roubo, que os carros sejam identificados assim que se aproximarem de uma barreira policial.
A polícia terá equipamento que possibilitará a leitura de uma distância de até 20 metros. Por isso, o microchip é conhecido como dispositivo de segurança sem contato (DSSC). A idéia é instalar o chip no motor e no câmbio, peças de alto valor que alimentam os desmanches clandestinos. Assim, seria desestimulado também o roubo dessas partes.
O ministro da Justiça aposta na medida para combater a criminalidade. ‘‘Creio que será uma segurança a mais para os proprietários de veículos, especialmente para os de carga’’, disse Reale. O ministro ressaltou que é preciso agir com inteligência e utilizar a tecnologia disponível para enfrentar as quadrilhas.
Segundo Francisconni, o microchip não deverá custar mais que US$ 5 e, a longo prazo, permitirá a redução dos preços dos seguros para os donos dos veículos. O presidente do Sindicato das Seguradoras de São Paulo, Casimiro Blanco Gomes, afirmou que o valor do seguro só cairá se, depois de iniciada a instalação dos dispositivos, ficar provado que ajudaram a reduzir o número de roubos.
O produto é fabricado pela World Security Systems (WSS) e já está em uso na França, segundo o diretor-técnico da empresa, José Carlos da Luz. Além dos dados invariáveis sobre chassi, cor, tipo de carro e fabricante, a memória do microchip comporta nomes de proprietários e dados sobre multas e IPVA atrasados. Luz estima que, no futuro, o dispositivo poderá ser acoplado a um sistema de localização por satélite que permitirá descobrir carros e caminhões roubados.
O presidente da Associação Brasileira de Transportes de Carga, Nelton Gibson, observou, no entanto, que o microchip da WSS em um primeiro momento ‘‘será eficiente para aumentar a arrecadação dos Detrans’’. Somente em São Paulo, a evasão de licenciamentos atinge a taxa de 30%.

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