Entre uma voltinha e outra, o mecânico e funileiro David Gutierrez, 52 anos, planeja dar uma passada numa concessionária Chevrolet para apresentar sua criação, batizada por ele mesmo de Chemaro, uma mistura de Chevete com Camaro. Ele confessa que até seria bacana se conseguisse fazer um test drive no carrão original, mas garante que o modelo que inventou é sua grande paixão.
"O Chemaro eu não largo. É motor 2.0 de Santana, tem injeção, é turbo, o banco é courino, o câmbio tem quinta marcha e coloquei vidro elétrico. A porta abre no controle, o porta-malas foi alongado e a seta é no retrovisor" descreve.
O modelo personalizado levou pouco mais de um ano para ficar do jeito que está e pelo zelo do proprietário, os cuidados não têm fim. "Tem sempre uma coisinha para fazer. Agora está precisando polir, fazer espelhamento e suspensão a ar. A gente vai melhorando", comenta. "Já virou novela", completa a esposa de David, Edileia Aparecida Costa.
A paixão pelos motores é coisa da família Gutierrez e ninguém esconde. Michael trabalha com o pai na funilaria e é especializado em pintura. Wesley é campeão de motovelocidade e o pequeno Braian, de 3 anos, adora contar na escola que tem um "Camaro". "Estuda aqui do lado, dá pra ir a pé, mas a vontade é sempre ir de Camaro", revela a mãe. Segundo o patriarca, a "culpa" disso é do pai dele. "Cresci vendo meu pai fazer isso, já preparava até Gordini", recorda. Quem passa pela oficina, no Jardim Ideal, na Zona Leste de Londrina, sempre dá uma paradinha. "Querem tirar foto, ver de perto e fazem mil perguntas", conta David.

Batida inspiradora
O que pouca gente sabe é que o Chemaro é quase um acidente de percurso. Por falta de peças para consertar o Chevete 1976, modelo tubarão, depois de uma batida, o funileiro partiu para a mudança radical. "O Chevete era lindo, todo original e também chamava a atenção, mas daí eu troquei umas ideias com o meu filho, ele pesquisou uns desenhos e, como é bastante criativo, começamos a mexer", revela David.
Aos poucos, com tempo e o dinheiro que ia sobrando, pai e filho chegaram à criação de que tanto se orgulham. "Só não gostei das lanternas. Na hora que bati o olho, achei estranho e foi só dar uma volta pra confirmar o mau gosto. Um amigo teve a mesma opinião e então mudei. Agora ficou com as lanternas do Corola e a tampa traseira do Vectra Elite."
A busca pelo carro perfeito já custou uns bons trocados. "Se fosse vender, pediria no mínimo R$ 15 mil. Foi feito todo na lata, não tem fibra, é tudo artesanal. Eu nunca anunciei, mas vive aparecendo gente atrás querendo comprar, querendo uma cópia, mas Chemaro só tem esse", avisa.

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