Charmoso, Vedette 51 volta à ativa
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sábado, 06 de agosto de 2011
Vinícius Fonseca <br> Reportagem Local 
Imagine uma vedete charmosa, com curvas bem definidas, capaz de chamar a atenção da maioria por onde passa. A cena serve bem para definir a criação francesa da Ford no final da década de 1940, pouco depois do fim da Segunda Guerra Mundial. Tido como o grande lançamento da época, o Ford Vedette foi apresentado no salão do automóvel francês em 1948.
No Brasil, segundo o mecânico e restaurador Alexandre Bonfim de Moraes, existem apenas dois exemplares desse carro, um deles na garagem de sua oficina, em Londrina. Na cor cinza e com os bancos estofados em couro no tom creme, o Ford Vedette, ano 51, precisou de tempo para ficar pronto. ''Fomos até Teresópolis (RJ) conversar com o José Aurélio (já falecido), que foi presidente do Automóvel Clube do Brasil e tinha um acervo interessante onde coletamos informações para a restauração'', conta.
Tanto trabalho é recompensado com o Vedette todo original, incluindo o motor V8 de 60 cavalos (que leva o veículo a atingir até 160 quilômetros por hora), parte elétrica de seis volts e não de 12 como de costume atualmente, freio de mão simples e até um relógio no painel, além de maçanetas que levam a uma porta ''suicida'' (quando a porta traseira abre no sentido oposto ao da dianteira). ''Apenas o banco, que no original era em tecido, modificamos para couro'', garante o mecânico e proprietário da Boss Restauração.
Outros aspectos que chamam a atenção no veículo são o design com traçados bem definidos e o brasão com o nome do automóvel em sua dianteira, como se fosse feito para que todos soubessem que o Vedette está chegando.
Para deixar o carro funcionando perfeitamente, não bastou apenas uma boa reforma. Com objetivo de manter motor e parte elétrica em dia, regularmente o Vedette desfila pelo quarteirão - menos em dias de chuva.
A relação de Moraes com o carro exige cuidados como os de pai para filho. Ele, porém, não é dono do veículo. Na verdade, o Vedette tem uma história curiosa que liga o mecânico ao verdadeiro proprietário. Há cerca de sete anos, o agrônomo Samuel Premebides chegou na oficina dizendo que havia comprado a relíquia na cidade de Jacarezinho (Norte Pioneiro). ''Nós tivemos que trabalhar muito no carro e, com o tempo, ele (Premebides) passou a frequentar minha casa. E tornou-se meu cunhado'', conta o mecânico. ''O amor dele por carros antigos - e também pela minha irmã - acabou nos unindo para deixarmos o Vedette assim'', brinca.
O dono do Ford Vedette lembra que chegou até a oficina por indicação de terceiros. Ele diz que já havia levado o veículo em outro lugar, mas não ficou do seu agrado. Premebides afirma que não imaginava ver o carro antigo, adquirido em 2005, mudar tanto a sua vida.
Nos últimos seis anos, além do Vedette, o agrônomo conseguiu outros automóveis antigos: um Fusca, ano 71, que acabou vendendo; um Passat Pointer, ano 88, que fica em sua garagem; e um Thunderbird, ano 58, em processo de restauração. ''Depois que você entra no mundo dos colecionadores acaba conseguindo indicações e comprando outros carros porque isso se torna um vício'', observa.
Tendo um carinho por todos os seus automóveis, mas em especial pelo Vedette, o agrônomo desconversa quanto à possibilidade de vendê-lo, por enquanto, e sabe que, se quiser, tem um mercado interessante a explorar. ''Muitas noivas me pedem para serem levadas pelo carro. Por causa da reforma, ainda não fiz isso. Mas é algo a se pensar'', brinca.


