O Ministério das Minas e Energia publicou uma portaria no início de 1997 proibindo a utilização do aparelho próximo às bombas de combustível
A fixação da placa nos postos, sem orientação correta, não tem inibido a utilização de aparelhos celulares pelos motoristasDepois das placas de ‘‘proibido fumar’’, os postos estão fixando um novo alerta próximo às bombas de combustível. Segundo a portaria n.º9 do Ministério das Minas e Energia, publicada em 16 de janeiro de 1997, é proibida a utilização de aparelhos celulares nos postos de combustível, sendo obrigatória a fixação de sinais de advertência.
A medida foi tomada como forma de segurança contra possíveis combustões causadas pelo contato de faíscas elétricas expelidas pelo telefone celular com gases combustíveis emitidos durante o processo de abastecimento.
‘‘Ao fazer ou receber uma chamada, ocorre uma partida elétrica no celular que pode provocar uma ignição com os gases emitidos pela bomba. Esta combustão dos gases pode atingir o líquido e, aí sim, causar uma grande explosão’’, explica Roberto Fregonese, presidente do Sindicato dos Combustíveis do Paraná.
Ele frisa que em dias chuvosos, não-raros, em Curitiba, por exemplo, a condensação dos gases é muito lenta, o que definitivamente aumenta os riscos de uma ignição.
Sem tragédias
Fregonese ressalta ainda que no Brasil não foi registrado nenhum caso de explosão causada pelo uso de celular, no entanto, ele frisa que a precaução se fez necessária em função de situações graves já ocorridas em outros países, principalmente na Europa.
‘‘Não queremos engordar esta trágica estatística, por isso, já estamos em campanha para educar a população’’, frisa o presidente do Sindicombustíveis.
‘‘Sabemos que os riscos são reais. Mas apesar de termos colocado placas de advertência, os clientes continuam utilizando o telefone ao lado da bomba, sem o menor respeito às orientações’’, conta Everson Silmar Piegel, proprietário do Posto Social, em Curitiba, há 23 anos.
Educação
Fregonese prevê uma tarefa difícil no processo de educação dos motoristas. ‘‘Apesar de estarmos orientando os frentistas e proprietários de postos sobre a melhor forma de abordar seu cliente, explicando os riscos não é raro encontrarmos o próprio funcionário ou proprietário falando ao telefone ao lado as bombas’’, lamenta.
Os riscos, embora sejam apontados como remotos por alguns técnicos (veja quadro), devem aumentar na proporção em que cresce o número de usuários do telefone celular. De acordo com a Associação Nacional dos Prestadores de Serviço Móvel Celular (Acel), o número de usuários de telefones celulares, no Brasil, deverá passar dos atuais 10 milhões para 40 milhões de pessoas nos próximos cinco anos.

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