Reduzir a emissão de gases tóxicos no meio ambiente. O catalisador passou a ser exigido pela legislação ambiental no Brasil, a partir de 1994, mas ainda encontra dificuldade de adesão por parte de alguns proprietários de carros. Acessório indispensável nos veículos fabricados a partir dessa data, atualmente faz parte da injeção eletrônica e está presente em grande parte da frota veicular nas ruas.
  Segundo Edson Bonifácio, professor de mecânica do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), os catalisadores foram a solução mais rápida e eficaz para reduzir o índice de poluição na época em que as discussões sobre preservação ambiental estavam em voga. Ele se recorda que boa parte dos veículos ainda não possuia injeção eletrônica e o carburador era o responsável pela alimentação do combustível no motor.
  ‘‘Na época a emissão de gases poluentes caia pela metade. Como o carburador fazia uma queima mais brusca de combustíveis e ainda estava na maioria dos carros, ele foi fundamental’’, sublinha Bonifácio.
  Ele explica que os veículos a gasolina são os que emitem gases mais nocivos como monóxido de carbono (CO), oxigênio e nitrogênio. Após passarem pelo processo de conversão catalítica eles se transformam em gás carbônico e água, respectivamente, que não são nocivos à saúde nem ao meio ambiente.
  Além do respaldo ambiental, o uso do catalisador também influencia no estado de conservação do veículo. Segundo o gerente de serviços da Metronorte, João Leal Ferreira, atualmente o equipamento é o componente mais importante da injeção eletrônica, que nem existia quando foi criado. Quando entupido, ele desregula a entrada de combustível no motor aumentando o consumo e reduzindo o rendimento.
  ‘‘É possível perceber problemas no catalisador quando a partida fica mais difícil. Muitos motoristas não costumam fazer a troca quando ele (o catalisador) apresenta problemas devido ao preço que é alto. O mais barato custa
R$ 500 e pode chegar aos
R$ 1,5 mil nos carros importados. Mas não compensa economizar porque os gastos no futuro serão maiores’’, argumenta Ferreira.
  Como a maior parte dos carros que saem da fábrica já estão equipados com o catalisador, o problema está nos veículos mais antigos. Não é difícil encontrar carros circulando sem a peça, como Monza, Kadett, Opala, Chevette, Prêmio e Fusca, que saíram da linha de produção antes da legislação entrar em vigor.
Por isso é comum encontrar escapamentos liberando substâncias tóxicas pelas ruas.
  Quando o assunto é fiscalização, é possível saber se um carro está sem o catalisador durante uma inspeção veicular. Bonifácio explica que esse é
um dos itens para liberação de veículos como vans de transporte escolar que necessitam de um parecer técnico para poder circular.
  ‘‘Normalmente eles (os proprietários dos veículos) precisam comprovar que
estão equipados com cinto de segurança, porcentagem de frenagem nas quatro rodas, boas condições de funcionamento de faróis, amortecedores e molas para poderem circular. Nessa vistoria eles costumam exigir o catalisador. Com veículos batidos que apresentaram deformações na estrutura eles fazem, mas fora isso não ocorre’’, explica o professor.
  Segundo o tenente Ricardo Eguedis, a presença do catalisador não é vistoriada durante blitzes rotineiras devido a falta de aparatos técnicos. ‘‘Não tem como.
Para fazer a checagem tem que ter equipamentos. Em casos que você percebe que o escapamento está fazendo muito barulho dá para autuar. Mas fora isso, só numa inspeção veicular’’, comenta.

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