O casal Alceu Soares Aguiar, 72 anos, cartorário, e Adriana Batista, 31, técnica em enfermagem, tem prazer em pegar a estrada. Moradores de Dourados (MS), eles viajam para vários encontros de carros antigos, como o de Jataizinho (Região Metropolitana de Londrina), realizado em maio. E se eles vão, a casa vai junto: um motorhome Mercedes 1958, capaz de acomodar quatro pessoas confortavelmente, em uma cama de casal e um beliche.

"Encontramos este motorhome pelo Facebook; comprei sem ver", conta Aguiar. A compra se concretizou há quase três anos e o para-brisas do veículo já está repleto de adesivos que marcam a passagem do casal por eventos em vários estados. Todo original por dentro, o motorhome tem o interior recoberto por couro bege e apliques pontuais de estampas florais. Uma vintage cortininha de flores protege o para-brisa do sol enquanto ele está parado.
Agora, o motorhome receberá a primeira reforma, no banheiro e para a colocação de um piso amadeirado.
O imenso volante ostenta ao centro a marca antiga da Mercedes-Benz (a mesma estrela de três pontas, mas sem o relevo da atual). Atrás dele, no painel, o velocímetro marca o limite de 100 km/h e aponta 265 mil quilômetros rodados. Nada menos que dez botões para controle de luzes, limpadores de para-brisa, setas, entre outros, ocupam o painel. O motor é um dos poucos itens não originais do motorhome.
"O original era um 11/11 turbinado, agora é um 11/13", diz Aguiar. Isso significa um motor de 13 litros. Como base de comparação, um veículo 1.0 de quatro cilindros tem capacidade de 0,25 litro em cada cilindro, somando um litro total de cilindrada. Um motor de 13 litros, possivelmente, deve ter seis cilindros.
Tentamos entender melhor a origem do motorhome do casal sul-mato-grossense. A dificuldade em encontrar informações sobre um veículo do tipo produzido pela Mercedes é grande. José Eduardo Azevedo, do Clube Oficial Mercedes-Benz, explica que um motorhome é, na prática, uma casa construída sobre um chassi, comumente do Unimog (série de caminhões off-road produzida pela montadora) ou de ônibus e caminhões.
"A própria Mercedes faz adaptações em veículos existentes para este fim, mas acredito que ela não tenha desenhado um motorhome especificamente", ressalta Azevedo. O motorhome de Aguiar e Adriana foi produzido sobre o chassi do caminhão "cara chata", antigos modelos da serie LP, fabricados de 1958 a 1969 pela fábrica da marca em São José dos Campos (SP).

Início da paixão
O motorhome é o modelo mais chamativo da coleção do casal, que soma cerca de 50 veículos. Tudo começou com o desejo de Adriana de possuir um Fiat 147 para ir à faculdade, localizada a cerca de 30 km de Dourados; hoje, o casal tem oito unidades do modelo. Na época, Aguiar tinha apenas dois Fuscas 1969.
E por que o 147? "Acho bonitinho, quadradinho, e não é tão comum quanto o Fusca", explica Adriana.
A coleção do casal inclui veículos com ano de fabricação a partir de 1929, sendo o mais novo de 1985. Dois carros novos estão lá para dar apoio. "Noventa e nove por cento dos nossos carros têm mais de 30 anos", ressalta o cartorário.
Explicar a paixão pelo antigomobilismo, porém, não é tarefa fácil. Nenhum dos dois sabe dizer ao certo o por que preferem veículos antigos e por que expandiram tanto a coleção. "Eu conheci ele e começou com o Fiat, a gente visitava amigos que incentivavam; a gente compra e dá uma arrumadinha", relata Adriana, pouco antes de entrar em sua casa sobre rodas e partir para nova viagem.

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