Carros que são bem e mal cuidados
A relação das pessoas com o automóvel cria histórias curiosas. Alguns gostam tanto do veículo que chegam a exagerar nos cuidados como o de lavá-lo todos os dias e até sofrem quando acontece algum problema. Outros vêem o carro apenas como um meio de transporte, não se preocupam nem com os cuidados básicos como o de checar o nível do óleo do motor e até colocam o carro em situações para as quais ele não foi preparado.
O estudante Luis Henrique Furlan, 23 anos, é um exemplo de quem não tem muita dó dos veículos. Ele já colocou a sua Ranger Splash ano 95 em situações nada confortáveis, além de transformá-la em cobaia para suas experiências. O estudante já desmontou o volante para saber como funcionava o airbag, como não conseguiu montar exatamente da maneira que estava, ele fechou o compartimento e agora torçe para que o equipamento funcione se um dia precisar.
Para saber se existia airbag para passageiro, Henrique, mais uma vez desmontou a frente, só que dessa vez, não conseguiu montar o espaço vazio não havia airbag no local e usou da imaginação para preencher o buraco: instalou ali o módulo do som. Eu queria saber se tinha airbag, então achei melhor eu mesmo verificar, explica.
O estudante também já mergulhou com a Splash em uma área alagada no litoral paranaense que batia acima do seu joelho só para ver se a picape conseguia passar. Com o carro alagado, precisou pedir a ajuda de um guincho para transportá-lo até Curitiba, onde descobriu que o motor tinha sofrido um calço hidráulico. Resultado: precisou refazê-lo inteiro. Estava testanto para ver se a picape se comportava como um submarino. Mas ela parou no meio, me deixando na mão, brinca, sem esquentar muito.
Uma das histórias do estudante diz respeito ao teste que ele fez para saber se o acendedor de cigarro estava realmente funcionando. Como a pecinha não ficava vermelha, ele ficou forçando o botão, sempre pressionando para que ela não saltasse, até que o acendedor esquentou tanto que derreteu a parte do console. Agora, no lugar do acendedor, tem um buraco queimado.
Henrique diz também que não se preocupa muito com revisão e com peças. Mas garante que se alguma peça importante para a segurança apresentar defeito, ele não exita e troca. Quando estraga alguma coisa importante, eu levo para trocar. Mas quando é algo simples, como a luz interna que está queimada, eu deixo assim mesmo, explica, dizendo que a Splash está com 60 mil quilômetros e só passou por duas revisões, quando já teria que ter visitado a oficina umas quatro vezes.
Totalmente diferente do perfil de Henrique em relação aos carros é a empresária Nerci Scarant, 45 anos. Ela tem uma BMW conversível ano 95 que ainda não ultrapassou os 55 mil quilômetros. O motivo da baixa quilometragem é que ela não viaja com o carro. Nem para a praia ela vai com o automóvel para evitar que fique em contato com a maresia. Outra coisa que ela evita fazer é ir ao supermercado com o carro. O porta-malas é muito pequeno, não cabe nada, conta, contrariando a versão do filho que garante que a mãe não faz compras para evitar que o carro suje de verduras ou com algum outro produto.
Nerci confessa que logo quando comprou a BMW passou algum tempo andando com um paninho para limpar a sola do sapato antes de entrar no carro. Outra mania que ela não dispensa nunca, é a de bater os tapetes todos os dias. Odeio aquelas pedrinhas que ficam no tapete, explica.
A empresária também não deixa ninguém dirigir o carro. Desde quando o comprou, há quase seis anos, nenhuma outra pessoa conduziu o automóvel. As lavagens quinzenais também são feitas só em casa, nunca na concessionária ou em postos de gasolina. Ele nunca foi lavado em outro lugar. Assim sei que o trabalho vai ser bem feito e com muito cuidado, ensina.
Outro cuidado mantido por Nerci é o de nunca atrasar a revisão, mas se o carro apresentar algum defeito, seja um risco ou amassadinho antes da hora, ela manda a BMW imediatamente para o conserto. Mesmo que seja um risco bem pequeno, ou uma batida leve, me incomoda até eu mandar arrumar, conta, completando que jamais estaciona o carro na rua, nem que para isso, ela tenha que dar alguns passos a pé até o estacionamento.





