Carros que parecem trio-elétricos
Quem nunca encontrou na rua um carro que mais parecia um trio-elétrico? Cena comum na cidades, ter um carro com um som potente e de boa qualidade é moda e chama a atenção.
Geralmente quem dirige esses barulhentos automóveis são rapazes, jovens, que ganharam o primeiro carro do pai e que instalaram o que há de melhor em som. Mas a característica comum a todos esses DJs do volante, é o bom poder aquisitivo.
Dependendo da escolha, o motorista pode gastar até R$ 30 mil em som e ficar com o carro parado na oficina quase um mês para fazer a montagem do equipamento. Claro que nesse caso, o dinheiro e o tempo não serão investidos só no som propriamente dito, mas na fiação especial, nas caixas de som modernésimas, nas telas de DVD, no acabamento impecável e no que mais a imaginação permitir.
No universo automotivo existem três tipos de apaixonados por som. Aquele que equipa o carro todo e sai se exibindo pelas ruas, isso inclui, parar em postos de gasolina, em frente à condomínios, em avenidas movimentas e levantar ao máximo o volume e ali ficar atrapalhando o sossego dos outros.
O segundo tipo é aquele que compra todo o equipamento, coloca tudo que tem de melhor, mas o investimento é para realização própria. Tanto que, não anda com volume alto, evita ficar mostrando, não estaciona em qualquer lugar e naõ se gaba do aparato técnico.
O terceiro tipo é aquele que vê no som, competição. São pessoas que transformaram a paixão em divertimento saudável e não atrapalham ninguém com a barulheira, pelo contrário, montam seus próprios campeonatos, para descobrir quem tem o equipamento mais potente.
O estudante e auxiliar de vendas, Adhemar Araújo, faz parte do segundo grupo. Ele tem mais ou menos R$ 10 mil de som no carro, um golf ano 99.
O valor investido por Araújo permite aos ocupantes, inclusive aqueles ques estão sentados nos bancos de trás, assistirem DVD enquanto passeiam de carro.
Módulo, CD Magazine, gerenciador de som, caixas de som na frente e atrás, tweeter, dois subwoofers, equalizador, mini-disk, são outros aparatos do carro de Araújo. Acho que sou o pior dos piores, brinca.
Araújo diz ainda que tudo que colocou no carro foi para satisfazer uma vontade, mas que isso lhe causa preocupação. Fiz isso para o meu prazer. Mas tenho medo de ser assaltado, de ficar visado, explica ele, que, quando está dirigindo, prefere manter as telas do DVD recolhidas para não chamar a atenção.
Outro apaixonado por som e que também equipou o carro por prazer é o estudante Leonardo Girondi Cerqueira. Ele, que tem um Fiesta, fez um porta-malas personalizado lotado de som.
Cerqueira gastou a metade de Araújo, mas nem por isso o carro deixa a desejar. A película protetora bem escura protege e esconde todo equipamento. Tenho medo de ser assaltado. Mas com o isul-filme não dá para ver tudo o que tenho, explicou, se referindo ao hobby caro.
Tanto som causa um pouco de problema à Cerqueira. Ele não estaciona o carro em qualquer lugar. Não deixo, em hipótese alguma, o carro na rua. Tenho alguns estacionamentos favoritos e se não tiver como deixar o meu carro em algum destes, eu pego carona ou táxi para ir onde preciso.
O estudante Francismar de Souza Cercal Júnior, apaixonado por som desde criança, está, pela terceira vez, equipando sua picape F-1000. Dessa vez estou colocando som na carroceria. Agora, vou ter um som forte dentro e fora, conta, explicando que o carro está na oficina para fazer o trabalho.
Cercal, que não sabe ao certo quanto já gastou ele acha que o investimento já passou dos R$ 7 mil diz que a paixão por som virou um vício. Quanto mais som você coloca, mais quer colocar. Todo dia tem equipamento novo no mercado e isso faz com que você fique tentado a trocar.





