Carros mudam para dar mais conforto
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sábado, 29 de outubro de 2005
Agência Estado 
Nas grandes cidades, os congestionamentos são rotina. Automóveis modernos e velozes circulam a uma velocidade média de 14 quilômetros por hora, equivalente à dos primeiros carros a vapor de cem anos atrás. As montadoras, que nos últimos anos investiram em veículos mais seguros e menos poluentes, também estão empenhadas em desenvolver modelos preparados para tornar menos estressantes as longas horas que os motoristas permanecem parados no trânsito.
Os mais recentes lançamentos, como a quarta geração do Gol e o Idea, da Fiat, incorporam itens como janelas com vidros laterais laminados, que protegem contra raios solares e ruídos externos, e porta-objetos, alguns projetados para garrafas de água.
Os projetos atuais levam em conta o caos do trânsito, confirma o gerente-executivo de Design da Volkswagen, Gerson Barone. ''Bancos com posicionamento mais confortável, botões e alavancas acessíveis, ambiente interno e cores são itens que passam a ser concebidos com a preocupação de evitar mais depressão ao motorista'', diz.
O Gol geração 4 tem espaço ideal para o celular em cima do porta-luvas, informa Barone. Também há ''buracos'' para outros objetos, não disponíveis na versão anterior do modelo. No Fox, a montadora incluiu 19 porta-trecos, um deles embaixo do banco do motorista para guardar bolsas e pastas.
O Idea, segundo o assessor técnico da Fiat, Carlos Henrique Ferreira, é o primeiro carro nacional a sair de fábrica com vidros laterais laminados, disponíveis na maioria dos carros somente no pára-brisa. Os vidros traseiros são mais escuros e reduzem a incidência do sol, além de ter material de melhor isolamento de ruídos externos.
Entre as novidades previstas para o futuro estão a navegação por satélite, com computador de bordo. ''O motorista pode obter informações de congestionamentos e evitar aquelas rotas'', exemplifica Ferreira. Ele acredita que em cinco anos alguns carros sairão de fábrica com esses sistemas no Brasil.
Estão em estudos sensores de som que avisam se o motorista está com sono, por meio de medição da pulsação, e também se está cochilando ao volante ou até alcoolizado. Marco Antônio Saltini, presidente da Associação Brasileira de Engenheiros Automotivos (AEA), diz que o conforto do habitáculo do automóvel é um dos grandes desafios da indústria brasileira. Sistemas já disponíveis em outros países demoram a chegar por questões de custos ou mesmo de legislação.
O air bag é um exemplo. Somente 5% dos carros são vendidos com air bag, sistema que custa cerca de R$ 1,5 mil. Freios ABS encarecem o automóvel em até R$ 2 mil.''Os brasileiros preferem CD player e rodas mais bonitas ao air bag'', critica Volker Barth, presidente da Delphi Europa, uma das maiores fabricantes de autopeças, com filial no Brasil. ''Se tivesse volume maior de vendas, os preços cairiam'', diz o executivo, para quem segurança também é questão cultural.
O desenvolvimento e instalação de equipamentos para ampliar conforto e segurança no carro aumenta o custo do produto, afirma Barone. ''As empresas têm de promover balanceamento de itens para evitar repasse elevado ao cliente.''
Barth, que já presidiu a filial da autopeças no Brasil, defende uma solução usada em outros países. ''O governo precisa incentivar a compra de veículos com itens que ajudem a evitar acidentes.
Barth defende incentivos do governo, com redução de impostos para quem comprar carros com itens de segurança. O Estado economizaria com a queda de acidentes. Segundo ele, a popularização do air bag e de outros sistemas na Europa ocorreu dessa forma.
Muitas das tecnologias já disponíveis na Europa e Estados Unidos precisam de escala para serem adaptadas no Brasil. Entre os sistemas já desenvolvidos, Barth cita o radar que mantém a distância estável entre dois veículos, com ajuste automático de velocidade em caso de aproximação. Há ainda infravermelho que avisa da aproximação de obstáculos em distâncias que variam de 10 a 300 metros.
Uma tecnologia que está em teste pela Scania na Europa e que teria grande utilidade no Brasil é um radar instalado no pára-choque, que detecta buracos e avisa ao motorista com alguns metros de antecedência.


