Um estudo divulgado pelo Detran do Paraná revelou que o número de carros flex, que funcionam tanto com álcool ou gasolina, aumentou 145% nos últimos cinco anos no Estado e já são 28% da frota total paranaense. O levantamento mostra ainda que há 1,8 milhão de automóveis bicombustível em nossas ruas – 80% são carros, 10% caminhonetes e 5% motos.
A fabricação desses modelos começou em 2003 no Brasil, quando a Volkswagen lançou uma versão do Gol com a tecnologia flex. Aos poucos, a novidade foi abrangendo outras marcas e conquistando os consumidores.
De acordo com o supervisor de vendas de novos da Ford Center, Raul Leoni Souza, o cliente hoje pede por um modelo flex, mesmo que frequentemente abasteça com apenas uma opção. "Até por conta dessa nova realidade, hoje temos poucos carros somente álcool ou somente gasolina para venda", revela. Dentro da marca, apenas o Ford Fusion Turbo oferece a versão exclusivamente a gasolina. "Por ser um modelo diferenciado, com motor turbo, ele não tem rejeição no mercado, até porque os concorrentes diretos também são abastecidos apenas com gasolina", explica Souza.
Há cinco anos no setor, o supervisor revela que modelos que permitiam somente uma opção para abastecer foram saindo de linha gradualmente, pois o giro comercial era mais lento e as unidades emperravam nas lojas. "Já havia a preocupação do comprador em relação ao momento da revenda e o receio de encontrar dificuldades de repassá-lo no mercado de seminovos quando fosse trocar de veículo", avalia.
Nas lojas de seminovos, o comportamento do consumidor é semelhante. "Hoje em dia ele nem pergunta mais se é o modelo é flex, já parte do princípio que é", revela o gerente de vendas da Ricci Veículos, Rosber Eduardo Ribas. Na opinião dele, essa exigência do cliente acabou norteando o planejamento das montadoras. "Por isso hoje quase não temos mais carros que não sejam flex no mercado. Já temos até SUV’s e outros modelos de luxo com motor mais potente e bicombustível", avalia.
Na Renault Fórmula Seminovos, a situação é semelhante. Como a maior parte dos veículos à disposição na loja foi fabricada de 2009 em diante, a presença dos flex é predominante. "Mais do que um gosto, o consumidor quer ter opção na hora de abastecer, ter a liberdade de escolher qual o combustível mais vantajoso naquele momento", pondera o gerente de vendas, Cícero Hofmann.
Fora das lojas, quem trabalha com modelos mais antigos e que são abastecidos apenas com álcool ou gasolina encontra dificuldade para negociar os veículos. No ramo há 25 anos, Armando Gouveia explica que entre um modelo flex e outro que não seja, a chance da venda do segundo emperrar é alta. "Hoje acaba desvalorizando e dificultando a venda. O cliente não sabe explicar direito porque rejeita aquele modelo, mesmo utilizando mais álcool ou mais gasolina no dia a dia, mas quer ter a opção. O bicombustível é negociado atualmente com muito mais facilidade", avalia.

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