Carros do futuro: da ficção à realidade
PUBLICAÇÃO
sábado, 05 de junho de 2010
Marian Trigueiros<br>Reportagem Local 
Rio de Janeiro -Veículos movidos a eletricidade, hidrogênio, células de combustível, com motor nas rodas, que não causam ruído ou emitem gases poluentes. Comumente vistos nos filmes de ficção científica, esse parece ser, definitivamente, o futuro da indústria automobilística no mundo. Pelo menos foi o que apresentaram as principais empresas montadoras, fabricantes de autopeças e instituições de pesquisa do ramo na 10 edição do Challenge Bibendum, promovido pela Michelin, evento de tecnologia e mobilidade sustentável, que este ano foi realizado no Rio de Janeiro.
Logo à primeira vista esses veículos causam uma certa estranheza e curiosidade, seja pelo design futurista e arrojado ou pelas energias que utilizam. Até mesmo por isso, grande parte ainda está em fase de estudos, cujos maiores desafios é encontrar maneiras de armazenar esses combustíveis e disponibilizar pontos de recarga e distribuição aos consumidores. Principalmente por esse motivo, a maioria ainda é formada por protótipos, ou seja, estão longe de serem comercializados e percorrer as ruas mundo afora.
Produzido a partir de duas scooters, uma das sensações da feira foi o modelo da Peugeot, o carro ''BB1''. Totalmente elétrico, com motores nas rodas e guidão no lugar do volante, o veículo de apenas 600 quilos e 2,5 metros de comprimento pode ser plugado na tomada. ''Com três horas de recarga, o BB1 pode alcançar 120 quilômetros de autonomia e atingir uma velocidade de 90 km/hora'', explica o diretor de relações externas da empresa, Marcus Brier.
Aparentemente pequeno, quatro pessoas podem ser acomodadas em seu interior. O retrovisores não existem, ou melhor, câmeras fazem o papel e tudo pode ser visto em telas dispostas nas laterais das portas do lado de dentro, bem como no painel. Para quem ficou entusiasmado, o diretor adianta que o modelo estará disponível nos próximos três anos no mercado europeu.
As rodas utilizadas nesse protótipo são da própria Michelin, que pela primeira vez trouxe ao Brasil o ''Active Wheel''. Nessa solução, os motores são embutidos na parte interior das rodas, produzindo a força motriz necessária para a movimentação do veículo. As quatro rodas são capazes de gerar 99,6 cc de potência, mais que um carro modelo 1.0, que geralmente produz 70 cc. Como o motor é distribuído em quatro partes, todo o espaço do capô fica livre.
Além do motor, dentro da roda há componentes como embreagem, suspensão e os freios. Dessa forma, os veículos com essa tecnologia não têm a necessidade do câmbio. Como são elétricos, precisam necessariamente de uma bateria acoplada que, na maioria das vezes, fica na parte de baixo da carroceria, otimizando ainda mais o espaço do veículo e o peso. Com o conceito de suspensão inteligente e reaproveitamento de energia gerada, essa solução já está sendo testada por montadoras na Europa.
- A jornalista viajou a convite da Michelin


